Aldeia de Potemkin

O Juiz Federal, ainda substituto da 5ª Vara Federal de Belém, Antônio Carlos Almeida Campelo, irá, amanhã, dia 30 de março, inspecionar os prontos-socorros municipais, do Guamá e o grande problemático da 14 de Março.

A inspeção faz parte de uma medida incidental, em uma Ação Civil Pública, movida pelo Ministério Público Federal que pretende o bloqueio do repasse de verbas federais no valor de R$ 17,8 milhões e de futuros repasses federais, pois, de acordo com o M PF, “Não há nos autos qualquer prestação de contas, por parte do município de Belém, acerca do destino dado às verbas liberadas, cuja utilização deveria ser na área de saúde”.

Campelo é juiz novo, tem exatamente o meu tempo de “lidas judiciais”. Somos novos.

Mas, tal e suposta meninice não siginifica que Campelo seja bobo. Experiência é antes uma vivência, um estado de espírito e reflete a criação do cidadão.

Minhas experiências, por exemplo, são aquelas vividas, lidas e escutadas.

Campelo – ele sabe disso – deverá encontrar os postos maquiados. Inspeção Judicial é assim mesmo, deve ter dia e hora para acontecer, em homenagem ao princípio da ampla defesa e do devido processo legal (é claro, exclui-se as medidas urgentes de inspeção, decididas, por exemplo, no decorrer de uma audiência, mas, mesmo assim, as partes estão presentes e são intimadas no ato e atencipadamente do que vai acontecer).

Cabe ao Campelo se vacinar do teatro ALDEIA DE POTEMKIN.

Grigori Alexandrovich Potemkin foi – além de marechal-de-campo russo, estadista e príncipe – amante da Catarina II, a Grande, em pleno Séc. XVIII.

Consta que, certa vez, Potemkin preocupado com o que Catarina II iria ver em visita pelas vilas, lugarejos e aldeias, a bordo de seu barco real ao longo das marges do rio Dniepre, o príncipe resolveu “maquiar” as casas, praças etc., no percurso.

A Czarina, ao avistar de longe, de seu magnifíco barco, as aldeias que iam passando, via tapumes perfeitamente pintados de casas, praças e, dizem, até de árvores e pessoas, sadias e deslumbrantes.

Potemkin, que, além da obrigação de comer a Czarina, tinha a missão de manter a ordem e a pujança colonizadora do reinado, assim pretendia com a farsa, “mostrar” para Catarina II que seu reinado, seu império era repleto de êxito e glória.

Assim, a expressão Aldeia de Potemkin significa falsidade. Em outras palavras, cobrir de ouro a bosta. É a arte do faz de conta.

Rogo que Campelo, ao contrário de Catarina II, desça do barco. Olhe atrás dos “tapumes”, para o bem dos pacientes, pobres e brancos de tão pretos, como diria Caê.

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Xipaia... o último dos guerreiros!
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Uma resposta para Aldeia de Potemkin

  1. Jader disse:

    Sim, o juiz mordeu, depois assoprou?

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