De Tom Zé para Michael Jackson

29/06/2009 – 11h14
Leia “Amado Michael”, poesia de Tom Zé em homenagem a Michael Jackson
da Folha Online
O cantor Tom Zé fez, com exclusividade para a Folha Online, uma poesia em homenagem a Michael Jackson, morto na última quinta-feira (25) após uma parada cardíaca.
Leia a íntegra da poesia de “Amado Michael”.
AMADO MICHAEL
(Tom Zé)
Negro da luz que desbota branco
Tanto talento tormento tanto
Tanta afronta de pouca monta.
Eia! virtudes em farta ceia
Todo encanto que pode o canto
Toda fiança que adoça a dança.
Que deus nos furta vida tão curta?
Mundo lamenta: ele mal cinquenta!
A ninguém ilude essa bruxa rude.
Paroxismo desse Narciso
Que achou desgosto no próprio rosto
E apedrejou-se com faca e foice.
Avança a rua (uma dor que dança)
E em seus telhados mandibulados
Requebra os hinos do dançarino.
Niños, rapazes, se sentem azes
Herdeiros todos e seus parceiros
Revelam parque, porto e favela.
II
Da Grécia três te trouxeram Graças
Arcas repletas de belas artes
Arcas que deram ciúme às Parcas.
Que luz trarias tu, mitologia,
Para um tal desatino de destino
Que o espandongado toma por fado?
Porque o povo grego disse que
Se a hybris o herói consigo quis,
Se condiz ao lado dela ser feliz
Ele mesmo será pão e maldição

Enquanto gera para os olhos de Megera.

Folha on line:

29/06/2009 – 11h14

Leia “Amado Michael”, poesia de Tom Zé em homenagem a Michael Jackson

O cantor Tom Zé fez, com exclusividade para a Folha Online, uma poesia em homenagem a Michael Jackson, morto na última quinta-feira (25) após uma parada cardíaca.

Leia a íntegra da poesia de “Amado Michael”.

AMADO MICHAEL (Tom Zé) 

Negro da luz que desbota branco

Tanto talento tormento tanto

Tanta afronta de pouca monta.

 

Eia! virtudes em farta ceia

Todo encanto que pode o canto

Toda fiança que adoça a dança.

 

Que deus nos furta vida tão curta?

Mundo lamenta: ele mal cinquenta!

A ninguém ilude essa bruxa rude.

Paroxismo desse Narciso

Que achou desgosto no próprio rosto

E apedrejou-se com faca e foice.

 

Avança a rua (uma dor que dança)

E em seus telhados mandibulados

Requebra os hinos do dançarino.

Niños, rapazes, se sentem azes

Herdeiros todos e seus parceiros

Revelam parque, porto e favela.

 

II

 

Da Grécia três te trouxeram Graças

Arcas repletas de belas artes

Arcas que deram ciúme às Parcas.

 

Que luz trarias tu, mitologia,

Para um tal desatino de destino

Que o espandongado toma por fado?

 

Porque o povo grego disse que

Se a hybris o herói consigo quis,

Se condiz ao lado dela ser feliz

Ele mesmo será pão e maldição

Enquanto gera para os olhos de Megera.

 

_____________/

 

“Ó Deus, 50 não é muito pouco?

Jackson já era esquartejado pop

Multiplicado em muitos esqueletos-rock.

Por que juntá-lo numa morte só

Da luz fazendo um monte de pó?” (Tom Zé)

 

 

 

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Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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