Juva

Tá um pouco difícil, mas lá vai…

Juvêncio Arruda, ou Juva como o chamava era um cara fácil. Fácil de se gostar e fácil de se enganar, de cara, logo no primeiro encontro pessoal.

Não era bonitão. Era bonito. Mas tinha uma cara braba. De primeira, antes da primeira palavra, da primeira voz, gelei, confesso.

Já tinha meio que visto ele. Sou relativamente safo em procurar coisas na web. Tenho uns macetes. Antes de conhecê-lo, pessoalmente, procurei e encontrei uma foto, antiga, perdida por aí: ele, em pé, encostado numa poltrona. De calça bege e camisão azul – ou era ao contrário. Mal dava pra ver seu rosto.

Este “papo” de blog é antigo. Mas nunca fui de falar sobre. Tem gente, inclusive parente, que quando sabe que escrevo um blog se espanta, e se espanta mais ainda quando digo que assim o é desde 2001.

Naquela época, é verdade, não tinham estes “conceitos e ferramentas” que são oferecidos, e de graça, hoje para quem quer se aventurar na blogosfera (aliás, nem este termo acho que existia na época!). Na verdade, esta “coisa” se chamava weblog. Depois, virou só blog. Comecei na AOL, que nem existe mais – e com ele, também se foi o conteúdo inteiro do weblog que tinha lá. Era uma lástima, mas me divertia. Depois, fui pra UOL. E, bem depois, mudei para wordpress.

Linkei o Juva desde muito tempo. Desde o começo dele. Só lia. Não comentava. Certo dia, comecei a comentar. Sempre assinando. E foi indo… Até que marcamos de nos conhecer pessoalmente, foi ano passado, ou retrasado… não importa.

Desde Junho de 2006 meu escritório fica na Wandenkolk. Juva marcou no Bar do Ranulfo, ou Ponto de Observação, ou P.O. para os íntimos. Fica em frente ao prédio do escritório, ao lado do Quenzão.

Como disse, aquele carão brabo me espantou. Cheguei. Ele sentado nas suas 4/5/6 cadeiras. Nos olhamos e perguntei: Juvêncio?

Ele abriu um sorriso meigo, estendeu a mão e respondeu perguntando: Lafayette?

A doçura na voz e o sorriso contrastou com o carão. Nesta hora, ele já tinha me ganhado. Puxei uma cadeira, e rolou o papo. Ele tomando uma gelada e eu na Coca-Cola (KS) – ele me disse, certa vez, que era o único cara que ia ao P.O. para ficar papeando e tomando Coca-Cola.

Juva tinha um característica rara, cada vez mais rara. Era daquelas pessoas que, depois de meia hora de papo, te faz sentir como se a amizade fosse de infância. Detalhista e um observador de gente, pescava detalhes marcantes do “novo” amigo, como um cartunista, e mandava bala. Pronto.

Conversamos muito. Ele as vezes ligava “tô chegando ao P.O., desce rápido que tenho que pegar a Marise”, ou “…daqui a pouco a Marise vem me pegar”, ou “…o Lucas”. Acontecia, também, da gente, meio que telepaticamente, chegarmos juntos, sem marcar. Ele descendo (quase sempre estacionava perto da Boaventura) e eu saindo do prédio. E haja papo.

Falamos de tudo um muito. Do passado, do presente e do futuro. De política, de futebol e de música. Da família e dos amigos.

Conheceu o papai. Bateram longos papos. Tinham planos – como tem planos estes nossos pais.

Conheceu a Aluísia. Ficou encantado – e quem não fica? Aliás, das coisas que me ensinou, uma delas é “quando sua mulher liga, atenda!” Isto não passou desapercebido pela minha, que, desde então, diz “segue o exemplo do Seu Juvêncio, atende meus telefonemas!”. Me deixou esta agora!

Em Abril último, me fez prometer que levaria o Lucas para pescar no Xingu. Mais uma… será um prazer!

Teria muito mais coisas para falar, mas, agora, é momento de calar… mas só um pouco. A vida segue, sempre em frente, e é uma honra ter nascido, como quis dizer-lhe.

É, meu amigo Juva, sentirei saudades… o que é bom!

Foi no Dia do Rock. Então…

“See how they fly like Lucy in the sky

See how they run

I’m crying

I’m crying, I’m crying, I’m crying”

_________/

Agorinha, às 19:50h, comentando lá no Flanar, nesta postagem, lembrei deste meu post. E, para minha alegria, revi o primeiro contato virtual do Juva no meu blog. Estamos aqui, amigo.

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Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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18 respostas para Juva

  1. Tadeu disse:

    puta merda , Lafa ,
    estou de férias na Italia e há alguns dias sem acessar a net.
    estou chocado , triste pela ausencia do nosso coircel amazonico e feliz por ter tido dois garndes mmentos pessoalmente juntos e muitos virtualmente.
    Juca era um GRANDE
    abs
    Tadeu

  2. Lafayette disse:

    Estamos todos assim meio que órfãos, amigo Tadeu.

  3. Porra Lafaytte
    Às vêzes, até penso que Deus, conspira contra nós, ao retirar do nosso convivio, um cara como o Jura, tão necessario para preencher os momentos de trisrteza que a vida nos trás. Em contra-partida, vai diexando por aquí, elementos nocivos que só contribuem para o atrazo das nossas vidas, como os politicos brasileiros. Como seriamos felizes se não existisse esta classe!!!

    Armando Malato

  4. Lafa, só uma expressão resume esta postagem: “do caralho”. O post e o Juca.

  5. Flanar disse:

    Excelente sim!
    Matou-me de saudades.

    Abs

  6. Tadeu disse:

    Sorte sua Lafa , não termos estado juntos , eu vc e o Juca , porque coca- cola , cá pra nós né não Juca??? , rsrsrsrsrs e morreríamos de rir os 3.
    Abraços
    Tadeu

    • Lafayette disse:

      Tadeu, ele me contou sobre vocês, e eu morria ri. Coca-Cola é isso aí! rsrsrs

      E, amigo, foi por pouco que não nos encontramos os três, por uma “cruzada” na estrada do restaurante, lembra?

  7. Você escreve, descreve, transcreve e emociona. Que bom! Arejou um pouco a saudade mofada que teima em tomar o lugar do prazer dos rsrsrs do Juca no Quinta.

    Abração, Lafa.

    • Lafayette disse:

      Bia, a risada do Juva era facial. Sabes aquelas pessoas que quando riem, não só a boca se manifesta?

      E, sabe, o Juvêncio era alegria, mesmo que no meio de um quebra pau, sempre vinha com uma tirada, ou uma guinada para aliviar a tensão.

      Este blog vai voltar ao dia-a-dia pela alegria dele.

      Obrigado pela visita minha cara.

      E as empadas, quando rolarão?

  8. Meu caro Lafayette.

    Perfeito.

    Acho que deves – na verdade devemos – escrever sobre o Juvêncio até ter uma ciberbiografia dele espalhada no ciberespaço

    • Lafayette disse:

      Alencar, obrigado pela visita.

      Alguém, lá no Flanar, pede saber mais sobre a pessoa “Juvêncio Arruda”. Lendo o Quinta Emenda, já se tem uma boa medida.

      Mas, é verdade, uma ciberbiografia é bem possível ser catada sobre o Juva na Web. A gente sempre encontra algo sobre ele que escapa ao Quinta, mas não ao contato real.

  9. Fui buscá-lo no aeroporto, aqui em Brasília.
    Era dia de trabalho.
    Eu de paletó… Ele num casual confotável.
    Na saída da esteira rolante. Levantei a mão, sinalisando, e ele, tascou:
    – Pô cara. Tú é bonito pra caraio ao vivo!
    Eu:
    – Que nada mestre. É só nó da gravata. Respondí, encabulado.
    Do aeroporto, seguimos direto para a Câmara. E lá estando. Fomos direto à Biblioteca.
    Sobre este dia, ele escreveu um post sobre a espertize da Casa do Povo, no tocante à organização de seu acervo.
    O Lafayette foi iluminado nesta observação sobre o Juvêncio.
    O mestre ia direto na alma. Tipo, sabendo onde aplicar um injeção na veia que tornava, seu interlocutor, algo que dominado, tal sua presença de esprírito cativante, -e, isso, é característica evidente ao longo do papo de 5 anos e alguns meses desde o 1.0 post do 5.a Emenda.
    Após, averiguar seus interesses, saímos da Câmara e fomos ao Porcão.
    Lá chegando, não demorou e o Dr. Itajaí de Albuquerque chegou – outro companheiro do Flanar – e cumpadre do Juca, de modo a escolhermos um lugar para sentar naquele monumental templo da comilança.
    O resto.
    – Bem, o resto, aos poucos, a gente vai contando.
    Que saudade da pôrra desse cara.

  10. Pingback: “…a gente vai contando.” (Val-André Mutran) « Golden slumbers fill your eyes…

  11. Tadeu disse:

    Ola seus fidumaegua.
    Estive fora da net por conta de coisas que só o Barreto explica , mas aqui da lonjura da bela Italia deixo uma promessa pro meu camarada Juca:
    Ainda tomo uma cachaça com o Val-André (com quem já proseei no telefone ) contigo Lafa ( é isso aí) com quem cruzei no Uriboca , com Francisco Rocha Jr – xárá de meu caçula – remista e botafoguense , defeitos congenitoS que trago também , com Barreto que tomou esporro de anonimo por falar bem do bar da Valda , com Yudice pra gente babar pela Julia , pelo Francisco e pelo Antonio e ainda levo o pedro Nelito pra gente assinar o nome do Juca na barra do boi (DE NOVO) e neste dia prometo:VOU FALAR MAL DO SIR NEY.
    estou voltando.
    Tadeu – que como diria mestre Andre Nunes do Terra do Meio já está pegando um porre.
    Eita

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