ALÔ, ALÔ, MESTRE… estaremos todos lá!

Do 5º Emenda:

Aos amigos

papai 30 dia

Ao saber do falecimento do nosso querido Juca, o amigo de longas datas, Padre Cláudio, pediu-nos para realizar uma das últimas homenagens a este maravilhoso ser que ao longo da vida conquistou tantas amizades, vários apelidos e lugares. Dessa homenagem participa com dedicação e carinho, Vera Arruda, amiga de Juvêncio, e parceira no trabalho e na fé de Padre Claúdio.

Tal homenagem será a missa de 30° dia de falecimento do Juva, que acontece nesta quinta-feira (13 de agosto), na Igreja do Rosário da Campina às 18h30.

Felizes e agradecidos por termos vivido ao lado dele, convidamos os amigos para lembrarmos, unidos, o 30º dia da chegada do Juca à sua nova morada.

Marise, Joyce, Lívia, Lygia e Lucas. Dodó, Angêla e Vicente. Silvia, Márcio, Marina e Luiza. Mirtes e Wilson Morbach. Marcelo Dias.

Dia: 13 de agosto (quinta-feira)

Local: Igreja do Rosário da Campina (Padre Prudêncio com Aristides Lobo, Comércio)

Horário: 18h30

Celebrante: Padre Cláudio

_____________/

JUVÊNCIO ARRUDA
André Costa Nunes
andré@terradomeio.com.br

Conheci o Juvêncio faz menos de um ano. Não houve sequer tempo para chamá-lo de Juca. Lafayette apresentou-me, em um certo fim de tarde de meio de semana, no bar do Ranulfo, colado ao Quem São Eles.

-Juca, este é meu pai, de quem te falei.

Pronto. Virou amigo de infância, de juventude, embora quase vinte anos separassem nossas infância e juventude. Acho que ele levava muito a sério o fato de ser juvêncio. Daí para a Terra do Meio, ficar de bubuia nas águas do Rio Uriboca foi um pulo. E parecia que era frequentador do lugar há vinte, trinta anos. Desde sempre. E haja irreverência, casos e causos.

Fizemos planos e mais planos para o seu Quinta Emenda. Blog, a mídia do futuro, concordávamos. E o futuro chegara. Concordávamos também. No mais, discutíamos e, por vezes discordávamos. Um citadino com extrema sensibilidade cabocla, coisa que eu, cabocão xinguara, buscava, até com impaciência, nos meus amigos urbanos.

Juvêncio, por que não Juca? estava almoçando comigo na maloca à beira do Uriboca. Fora trazido pelo Lafayette, que, sem eu saber, convidara o irmão, André, que é médico. André chegou quando a caldeirada já estava no meio. Abriu uma cerveja e alimentou o papo.

Quando esperávamos a sobremesa, queijo de búfala com doce de cupu e castanha, quase com displicência, pegou os exames do Juvêncio. Ele os levara para isso mesmo, para uma avaliação do André. Pneumologista, pegou logo a radiografia do tórax. Antes que a olhasse contra o sol, Juvêncio ainda brincou:

– e aí, cara, quantos meses ainda tenho de vida?

Acho que só eu notei o tremendo esforço que o André fez para não demonstrar a angústia que sentia.

Sem responder perguntou:

– estás dirigindo?

– não, vim na carona do Lafa.

– vamos comigo.

Conversamos no caminho. Juvêncio ainda insistiu em perguntar alguma coisa que não me lembro. O Lafayette ficou mudo. Os três, em silêncio, dirigiram-se para os carros estacionados à sombra da mangueira.

A sobremesa chegou. Ninguém comeu. A cerveja esquentou. Fiquei só. Eu e meu rio, com aquele nó na garganta e um sentimento profundo, indefinido, mundiado, que só os cabocos velhos sabem sentir.

Poucos dias depois,  não me lembro quantos, o André me telefonou do hospital. Acabara de assinar o atestado de óbito do Juvêncio. Disse duas palavras e calou. Ainda devemos ter ficado um bom tempo com o celular ao ouvido. Nada mais havia a dizer ou a perguntar.

Requiescant in pace, camarada.

_____________/

Nota do filho:

Pai, esta foto aqui relembra um destes dias de encontro com o Juvêncio. Dia em que ficamos até tarde no Ranulfo batendo papo. Depois chegou o poeta Alfredo Oliveira…

A foto revela o exato ângulo de visão do Juvêncio, conforme o mesmo diz no comentário da postagem que fiz à época: Ouvinte.

Alfredo Oliveira

Atualizado: 14/08, às 09:04hs

COISAS DESTE MUNDO
“Deixe de lado as coisas deste mundo” – disse o padre ao moribundo.
O moribundo, então, virou as costa para o padre.

O RIO
A morte é um rio onde a gente
Embarca de olhos fechados
Se queres partir contente
Nada deixes deste lado.
É deste lado de cá
Que moram nossos cuidados.
Penas que amor nos deixou
São penas que o vento trouxe
São pelo vento levadas.
Fecha os olhos bem fechados
Basta de tanta rima em “ados”
Dorme o teu sono profundo
Longe, cada vez mais longe
Deste mundo e seus cuidados.

ANJO NO CONSULTÓRIO
– E quando olho pra cima, doutor, me dá um bruto medo de cair no Céu…

INSCRIÇÃO PARA UM PORTÃO DE CEMITÉRIO
Na mesma pedra se encontram,
Conforme o provo traduz,
Quando se nasce, – uma estrela
Quando se morre, – uma cruz.
Mas quantos que aqui repousam
Hão de emendar-nos assim:
“Ponham-me a cruz no princípio…
E a luz da estrela no fim!”

(tudo Mario Quitana)

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Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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