11 de Setembro: sentei e vi!

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11 de setembro de 2001. Estava na minha mesa, no Jurídico da CELPA. Papel pra lá, livro pra cá, processo aberto. Dia-a-dia. Comum.

Meu irmão, o Fernando, me liga. “Cabeça, um avião acabou de entrar cunsca no World Trader Center!”. “Tá de sacanagem”, respondi. “Procura uma TV”, ele disse, antes de desligar.

09 da manhã, mais ou menos. Lembrei que, no térreo do prédio, tinha uma saleta, onde reinava, quase escondida, uma televisão pequena, 14 polegadas. Era uma copinha e uma pequena despença do pessoal da limpeza. Desci, e fui lá.

Tinha um banco estofado, sem enconsto, colado na parede, uma mesinha e a TV. Estavam lá quatro eletricistas e uma faxineira. “Doutor, veja isto!”, disse a Luciene, faxineira, que, por sinal, cresceu na empresa e hoje é auxiliar de escritório por lá.

Sentei e vi. A torre com a fumaça. Ainda era pouca fumaça. A outra torre ainda estava majestosa. O queixo caiu. Lembro que fiquei hipnotizado.

Um dos eletricistas me perguntou o que achava. Disse-lhe que se confirmasse que era um avião, a empresa estava falida (a cabeça de advogado pensou logo em erro de procedimento do piloto).

A reporter começou a dizer que poderia ter sido um atentado terrorista. Não me lembro bem, mas numa ou outra afirmação, veio o segundo avião e… pimba!

Os meus companheiros de saleta ficaram mudos. Eu também.

Lembro que pensei na hora – já entendendo que era um atentado: Agora fudeu-se. Os Estados Unidos vão abrir fogo.

Ficamos calados por um certo tempo, vendo e ouvindo as notícias… outro avião cai no Pentágono… outro não sei aonde… tem mais dez aviões sequestrados no ar…

Desaba a primeira torre. A Luciene sai da saleta: “Desconjuro, doutor!”

Lembro que pensei no cinema. Nos filmes que já tinha visto. Por mais fantasioso que seja a cena, depois daquela imagem, sempre penso que, afinal, tudo é possível.

Quem poderia imaginar uma cena daquelas? Só mesmo em filme… não, nem lá!

Desaba a segunda torre. Os eletricistas começaram a me perguntar sobre as coisas… sobre o terrorismo… sobre os Estados Unidos… sobre o W. Bush…

Lembro que falei algo. Mas, lembro que disse pra eles que estávamos vendo um fato histórico, comparável com a bomba de Hiroshima. Lembro que falei para eles prestarem bem atenção. Lerem os jornais e as revistas sobre o que víamos, para, mais tarde, contarem aos filhos e netos.

Lembro que falei que o mundo iria mudar em vários aspectos depois daquilo e que uma guerra iria começar.

Lembro que falei sobre o perigo que o atentado iria provocar, pois seria uma autorização aberta para o W. Bush atacar quem ele quisesse.

Um dos eletricistas me perguntou se os americanos mereciam. Respondi que ninguém merecia, nem eles, nem os vietnamitas, nem os nicaraguenses. “Como assim, doutor?”, voltou a me perguntar.

Lembrei do prazo da contestação que corria. O papo ia demorar.. como ia! Levantei e voltei pro processo.

Pouco depois mamãe me ligou, perguntando se estava bem. Estava preocupada. Disse-me que era para não sair de noite, pra dormir cedo. Estava casado há mais de quatro anos… mãe é mãe.

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Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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