…também, pode-se acabar com ela em um momento!

Você ouviu falar do 2009 ST19 ?

Não?! Deveria…

Você sabe o que é isto?

Asteróide 2009 ST19

Não?! Deveria…

E isto?

Asteróide 2009 ST19 2

Não?! Deveria…

Por todo esta semana, em órbita paralela à da Terra, o asteróide 2009 ST19 vai n0s acompanhar, a uma distância de 600 mil quilômetros (pouco mais que duas vezes a distância da lua pra terra). Em termos cósmicos, é logo ali, mano!

Este negócio de medidas astronômicas é uma parada! E, quando papeio sobre com alguém interessado, adoro dar estes parâmetros, mencionados no livro “Breve história de quase tudo”, de Bill Bryson:

Imagine somente o Sistema Solar.

“São tamanhas as distâncias que é impossível, em termos práticos, desenhar o sistema solar em escala. Mesmo que você acrescentasse uma enorme folha dobrável aos livros didáticos ou usasse um papelão grande, não chegaria nem perto.

Num diagrama do sistema solar em escala, com a Terra reduzida ao diâmetro aproximado de uma ervilha, Júpiter estaria a mais de trezentos metros e Plutão estaria a 2,5 quilômetros de distância ( e teria o tamanho aproximado de uma bactéria, de modo que você nem conseguiria vê-lo).

Na mesma escala, a Próxima Centauro, a estrela mais próxima, estaria a quase 16 mil quilômetros de distância. Ainda que você encolhesse tudo até Júpiter ficar do tamanho do ponto final da frase, e Plutão não maior que uma molécula, Plutão continuaria a mais de dez metros de distância.”

O asteróide 2009 ST19 tem cerca de 1 quilômetro. E aí? Qual seria o estrago se ele nos atingisse? Você se perguntaria.

Difícil dizer ao certo. A gente só sabe estas coisas indiretamente, pois ainda não deu para sentir de perto o negócio (aliás, deste tamanho, quando der, na verdade, não dará pra mais nada depois! 😉 ).

Temos alguns dados. Em 1908, 30 de junho, um asteróide caiu na Sibéria (cair não é bem o termo). Ficou conhecido como “Tunguska”, pois caiu perto do rio com este nome.

Calcula-se que tinha cerca de 100 mil toneladas. Era rochoso e explodiu no ar. Pequenos pedaços ficaram cravados nas árvores. Também acha-se que ele tinha entre 30 a 60 metros de diâmetro, e que a energia liberada foi de 15 Megatons. Caiu derrubando milhares de quilômetros quadrados de árvores e sumiu com muitos animais. Se a Sibéria, hoje, é longe, imagine em 1908!, por isto dados são poucos.

A geologia nos dá outras dicas, através de análise de impactos no passado. Mas, vamos lá pra’quelas simulações que tanto gosto.

Imagine (sem ela, a imaginação, a poderosa modificadora, nada seríamos!) que, em Júpiter, aconteceu o seguinte: em Julho de 1994, o cometa Shomemaker-Levy 9 deu de frente com o planeta.

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Não se esqueça que Júpiter é um cara grande!

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Aliás, estas dimensões já postei aqui em Insiginficantes.

Voltando.

Na verdade, o Shomemaker-Levy 9 não estava inteiro. Tinha se partido em 21 pedaços. Os cientistas imaginavam que o grande e poderos Júpiter ia cagar-e-andar pro dito cujo. Erraram feio (perdoável, já que era a primeira vez que a gente iria ver, realmente, uma colisão cósmica)!

Um fragimento, denominado Núcleo G, que tinha o tamanho de uma montanha pequena, atingiu Júpiter.

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A força da energia do impacto (que nem é impacto, pois Júpiter é gasoso) foi de seis milhões, repito, 6.000.000 de megatons, que é, mais ou menos, 75 vezes todas as bombas nucleares existentes na Terra!

A bobagem abriu buracos maiores que a Terra, cada um!

Aí, neste momento, você se pergunta: mas como seríamos avisados, que sinais teríamos para analisar, previamente, se um meteóro, cometa, NEO viesse nos encontrar para o jantar?

Nenhum! É a resposta.

Este meninos só se tornam visíveis a olho nu quando se aquecem, e só se aquecem quando entram na atmosfera. A velocidade é enorme. Alguém teria que estar olhando pra ele com algum telescópio, e, como já vimos, o espaço é um pouco grandinho para tanto.

A força do impacto depende de algumas variáveis, como ângulo de entrada, velocidade e trajetória, se a colisão é frontal ou lateral. Depende da massa e densidade etc., etc., etc..

Mas, com alguns cálculos do que já sabemos, a porrada é mais ou menos assim.

A velocidade de chegada é tão grande que, todo o ar embaixo dele seria comprimido, achatado, numa pressão enorme. O ar comprimido se aqueceria (pegue a costa da sua mão, coleque na boca e assopre… viu? …esquenta!) também numa velcidade enorme, e chegaria a uns 60 mil graus kelvim, ou 10 vezes a temperatura do Sol!

Ao penetrar a atmosfera, tudo no rumo do meteoro – tudo, casa, pessoa, prédios, pontes, árvores, estádios, florestas, fábricas, carro, cahorro, periquito e papagaio – se enrrugaria, primeiramente, e, após, sumiria, como papel celofane numa chama.

Bastaria 1 segundo e o metoro se chocaria com a superfície da Terra, tipo assim… ali na Pedreira, entre na esquina da Lomas com Pedro Miranda – terra do samba e do amor – por exemplo.

O próprio meteoro se volatizaria instantaneamente, mas o impacto arremessaria mil quilômetros cúbicos de rocha, terra e gases superaquecidos pro alto e avante!

Todo ser vivo, e o quase-vivo também, morreria num raio de 250 quilômetros (claro, aqueles que já não tivessem morrido com o calor de entrada!) devido ao impacto. A onda de choque inicial se propagaria quase à velocidade da luz, arrastando e arrasando tudo à sua frente.

Quem estivesse lá longe, em Marabá, por exemplo, teria a notícia da novidade-que-veio-dar-na-praia através de uma luz ofuscante – a mais brilhante jamais vista por qualquer um!

Um minuto, ou dois, depois, viria este observador, algo incrível e que contrastaria com a luz brilhante, bela e linda… uma muralha de escuridão subindo ao céu! Preenchendo o campo de visão inteiro e se deslocando a milhares de quilômetros por hora!

Esta escuridão se aproximaria silenciosamente, e não é minha caneta romântica não! É que tal muralha estaria se deslocando além da velocidade do som, bem além por sinal. Li uma frase fantástica, que ilustra esta cena: Um observador, ao longe, veria um véu desconcertante de distúrbio seguido da inconsciência instantânea.

Em instantes minutos, todo ser vivo estaria morto, numa área, mais ou menos, de belém até Manaus, e de Belém até meu Píííauí (como diria o Sen. Mão Santa).

Num raio de 1.500 quilômetros, qualquer um que estivesse e pé, cairia e morreria atingido por projéteis. Além deste raio, os efeitos do impacto diminuiriam, gradualmente.

Isto tudo são resultados locais do impacto. Imagina-se, também, qual o efeito global: Terremotos e maremotos inimagináveis e jamais registrados. Os vulcões, a maioria, entrariam em erupção. Outros, surgiriam. Tsunamis brincariam de pira-sis-condi nas praias.

Mais ou menos 1 hora após o impacto, uma nuvem negra cobriria a Terra, com rochas e escombros quentes caindo por todo parte. Por causa disto, incêndios mil!

Aproximadamente, 1,5 bilhão, vou repetir, 1.500.000.000 de pessoas morreriam no 1º dia. As pertubações na ionosfera derrubariam todas as comunicações. Ninguém saberia nada de ninguém. Seria irrelevante fugir.

Por meses ou anos o Sol ficaria encoberto pelas fuligem e cinzas. Sabe aquele meteoro que, há 65 milhões de anos, farelou os dinossáuros, o KT? Pois é, o California Institute of Technology, em 2001, pesquisando isótopos de hélio de sedimentos remanescentes do impacto, concluiu que o clima ficou alterado por 10 mil anos.

Os asteróides são bichos rochosos que orbitam, livremente, num anel entre Marte e Júpiter. Não se sabem quantos tem por lá, mas, num cálculo mais simpático, não são menos que 1 bilhão, veja bem, 1.000.000.000! Já encontramos e nomeamos cerca de 30 mil. Ah, falta pouco! 😉

O 2009 ST19 está ali, a uns 600 mil quilômetros. Não se preocupe. Em 1991, o asteróide 1991 BA (2 Megatons de energia, 6 metros de diâmetro, velocidade de impacto de 21 km/s), passou acerca de 170 mil quilômetros, E SÓ O VIMOS QUANDO ELE JÁ TINHA PASSADO E ESTAVA SE AFASTANDO !!!

Dois anos depois, em 1993, um outro asteróide passou mais perto, uns 145 mil quilômetros da Terra. Mais uma vez, passou sem ser visto e só foi encontrado quando já estava se afastando de nós.

Os estudiosos, aqueles mais céticos e tranquilos, acreditam que eventos destes de quase-colisões (termo técnico) ocorre não mais que 2 ou 3 vezes… POR SEMANA !!! Ah, tá!

Eles dizem, também, que se formos considerar os meteoros, meteoritos, NEO’s de 1 metro em diante, a imagem seria como se a Terra estivesse seguindo numa autoestrada, e, a todo dado momento, milhares de insetos, pássaros, coelhos, gatos, cachorros, cavalos, rinocerrontes, elefantes e baleias azuis cruzassem nosso caminho.

Bem. Por uma semana, o 2009 ST19 será nossa companhia cósmica mais interessante. É raro, heim! Somos sós neste mundão! Quando alguém vem nos acompanhar, devemos ficar agradecidos!

Uma semana. Poderia ser um pouco mais (não muito, vai que o Sol desviasse este porra pra cá!). Daria tempo para os cientistas saberem um pouco mais… de nós mesmo!

Mas, este negócio de tempo, uma semana, lembrei-me de outra brincadeira com o tempo. Veja só:

“Isso talvez seja um pouco estranho, porque a vida teve tempo suficiente para desenvolver ambições. Se você imagina os cerca de 4,5 bilhões de anos da história da Terra comprimidos em um dia terrestre normal, a vida começa muito cedo, em torno das quatro da madrugada, com o surgimento dos primeiros organismos unicelulares simples, mas depois não avança mais nas próximas dezesseis horas.

Somente quase às oito e meia da noite, com cinco sextos do dia já decorridos, a Terra consegue exibir ao universo algo além de uma cobertura irrequieta de micróbios. Finalmente as primeiras plantas marinhas aparecem, seguidas vinte minutos mais tarde da primeira medusa e da enigmática fauna de Ediacaran, vista pela primeira vez por Reginald Sprigg, na Austrália.

Às 21h04 entram em cena os trilobites (a nado), seguidos mais ou menos imediatamente pelas criaturas bem formadas de Burgess Shale. Pouco antes das 22 horas, plantas começam a brotar em terra firme. Logo após, faltando duas horas para o fim do dia, despontam os primeiros animais terrestres. Graças a uns dez minutos de bom tempo, às 22h24 a Terra é coberta pelas grandes florestas carboníferas cujos resíduos fornecem todo o nosso carvão, e os primeiros insetos com asa se fazem notar.

Os dinossauros entram em cena pouco antes das 23 horas e dominam por cerca de 45 minutos. Faltando 21 minutos para a meia-noite, desaparecem, e a era dos mamíferos começa.

Os seres humanos emergem um minuto e dezessete segundos antes da meia-noite. Nessa escala, toda a nossa história registrada não duraria mais do que alguns segundos, e a vida de um único ser humano mal duraria um instante.

Nesse dia grandemente acelerado, continentes deslizam e se chocam num ritmo positivamente frenético. Montanhas se erguem e se desfazem, bacias oceânicas surgem e desaparecem, lençóes de gelo avançam e recuam.”

É, meu amigo, é de ser perguntar:

Dá pra tomar uma cervejinha antes?

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Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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20 respostas para …também, pode-se acabar com ela em um momento!

  1. Lucas Câmara disse:

    Essa parada é muito bacana! Tem vários registros de meteoros ao longo da história geológica. Tem um livro que a gente usa quando vai estudar elementos de geologia que tem uma tabela interessante: ‘Impactos de bólidos e seus efeitos ssobre a vida na Terra’. (Afirma-se que a vida tenha sido extinguida algumas vezes ao longo de tempo, se não me engano). Enfim, nessa tabela, os efeitos planetários de um bólido de mais ou menos 1km seria ‘Suspensão de poeira em toda a atmosfera durante meses’, que em termos de efeitos na vida, acarretaria ‘interrupção da fotossíntese; indivíduos morrem, mas poucas espécies são extintas; ameaças à civilização. Um bólido muito pequeno, com o de Tunguska, segundo o livro, “derrubou árvores num raio de dezenas de km’s, causou pequenos efeitos hemisféricos e suspensão de poeira na atmosfera.”.
    Geology rocks!

    • Exatamente Lucas. Ou melhor, mais ou menos. Não é que “a vida tenha sido extinguida”, vamos dizer “quase totalmente”. O quase é que nos permitiu estar escrevendo isto! 😉

      Os estudos “dos quebradores de pedra” demonstram, através de análises das camadas geológicas do solo – e portanto temporais – que, algumas vezes (não se sabe, ao certo, quantas vezes) a vida, “pelo menos a predominante de então”, simplesmente, some!

      Isto, é certo, acontece, muitas vezes, de forma local (mesmo que este “local” seja grande pra porra!).

      Algumas teorias foram elaboradas, outra elaboradas e provadas, outras só provadas ( 🙂 ), para explicar este “fenômeno” (entre aspas por que parece não ser nem fenômeno, mas sim, normal, cíclico). E os grandes impactos estão entre as provadas. Outras, estão com a inversão do campo magnético da Terra (real, mas esquece este papo que se tem falado por aí de Mapa Maia, Calendário Maia e tal).

      É isto aí. Até o próximo impacto!

  2. André Costa Nunes disse:

    Lafa,

    Escreveste uma “verdade” científica apavorante, mas o melhor de tudo é o texto. Claro, didático e, romântico.
    Parodiando o Che: ay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.
    Gostei muito, além do mais, isso é literatura.

    André

  3. Equipe 3 pontos disse:

    Honestamente… SE isso fosse uma materia obrigatória nos PCNs das escolas nacionais, MUITA gente ia ter MUITO mais vontade de aprender matemática, fisica, quimica e até mesmo, historia!!!!
    Vejam só… o destino da educação pode ser salvo pelo espaço cosmico!

  4. Equipe 3 pontos disse:

    Eu não diria que os professores são desmotivados, e sim COBRADOS ALÉM DA CONTA… esquecestes que sou professora de matemática tb?? rsrs

  5. Lucas Câmara disse:

    Putz, queria muito viver pra ‘ver’ uma inversão no campo magnético da Terra, só pra ver no quê que dava. A geologia é fantástica nas suas teorias, na aplicação de tecnologias e nos seus métodos. A comprovação da inversão do campo magnético e da deriva dos continentes mostra bem a ‘criatividade’ dos caras.
    Abs

    • A física, sendo uma ciência empíria, precisa ter suas teorias testadsa por exeprimentos e observações feitos em laboratórios, no caso a astrofísica, por lei de telesc´ópios e outros intrumentos usados em medidas astronômicas. Portanto, teorias só sáo aceitas pela comunidade quando sobrevivem a toda uma bateria de testes realizados independentemente por vários grupos.“A física, sendo uma ciência empírica, precisa ter suas teorias testadas por experimentos e observações feitos em laboratórios, no caso a astrofísica, por lei de telescópios e outros instrumentos usados em medidas astronômicas. Portanto, teorias só são aceitas pela comunidade quando sobrevivem a toda uma bateria de testes realizados independentemente por vários grupos.” (Marcelo Gleiser, Micro Macro, pág. 336)

      Alguns casos, nem a mente humana, e muito menos a tecnologia do homem permite que a teoria seja testada, e é neste momento que a ciência evolui. “Pode-se dizer que esse é o espaço em que vive a imaginação científica, onde cientistas, munidos de intuição e técnicas matemáticas, criam mundos imaginários que podem ou não corresponder à nossa realidade.” (Marcelo Gleiser, ob. e pág, cit.)

      É isto mesmo, Lucas, “a criatividade dos caras” é, não raro, determinante. Nunca chegamos, nem perto (aliás, nem longe, mas, sim, só muito longe) do núcleo da Terra.

      Em 1960, um projeto, denominado “Mohole”, decidiu cavar um buraco no solo oceânico. A missão era descer um broca mais de 4 mil metros no oceano Pacífico e perfurar 5 mil metros pela rocha crustal. Deu em nada! Todas as tentativas fracassaram. O mais fundo perfurado foi de 180 metros. Em 1966 desistiram (ou melhor, o Congresso Americano cortou a verba!)

      Aí, vieram os cientistas soviéticos. Quatro anos mais tarde (ô época boa de guerra fria na ciência!). Na península de Kola, perto da Finlândia. Os Russos, menos metidos a besta, e sabendo do fracasso “do outro lado”, pretendiam furar SÓ 15 quilômetros.

      A tarefa foi difícil, com uma série de broncas, mortes, brigas, intrigas que não sei por que o cinema nunca a resgatou e fez um filme. Quando, enfim, desistiram, 19 anos depois, haviam perfurado 12.262 metros. Como a crosta da Terra representa 0,3% do volume do planeta e que o buraco de Kola não chegou a um terço da crosta… aquela imaginação, fundada em cálculos matemáticos, físicos, químicos etc., que Marcelo Gleiser fala, entrou em ação.

      Pouco mais de 12 quilômetros é o que conhecemos do “interior da Terra”!

      Mas, este buraco nos revelou quase tudo que sabemos sobre “nosso interior”. As revelações foram fantásticas, e o estudo sísmico mostrou-nos algo que jamais tínhamos “vistos”. 180 graus centígrados a 10 mil metros – quase o dobro, então, previsto. E rocha, naquela profundeza, satura de água.

      Em suma, sabemos sobre o meio da Terra através do buraco soviético, de análises das ondas sísmicas e sua interação com rochas, líquidos etc., e, também, estudando as Chaminés de Kimberlito (lá nas profundezas da Terra, um explosão projeta um bola de magma, que, viajando a superfície em velocidade supersônica, rompe o solo – este evento é aleatório e pode acontecer em qualquer lugar, inclusiva agora, ali na Praça da República!).

      Esta bola trás de um tudo pra cima. Periodito, cristais de olivina e, raramente, mas muito raramente, “cria” diamantes (tem que ocorrer uma série de fatores para o diamante surgir), pois a montanha de carbono que vem, não se resfria nos conformes, e vira grafite (que, por sinal, fez um golaço neste final de semana!).

      AH, sabe a “Capital do Diamante”, a aprazível Johanesburgo? Pois é… está sentada sob uma antiga Chaminé de Kimberlito! Cagados-de-sorte!

      Mas sim (que só se diz pra meninas depois da festa). Pegue aquela divisões, as camadas que aprendemos trocentos anos atrás na escola: crosta externa rochosa, manto de rocha quente e viscosa, núcleo externo líquido e núcleo interno sólido (tudo chute, baseado em cálculos indiretos, como disse – é um tal de “se tem silicatos, então deve ter algo líquido lá dentro”, “se as onda P, que são diferente das ondas S, refletem em granito, mas não em basalto, então deve ter…), e bote pressões altíssimas, e teremos o campo energético da Terra.

      O núcleo externo “parece” que é líquido e o centro do magnetismo da Terra. Foi em 1949, que Bullard, de Cambridge, formulou uma teoria para explicar o magnetismo terrestre. Disse ele que, a parte líquida do núcleo do planeta gira, e o torna um motor elétrico, criando o campo.

      A hipótese é que, os líquidos em convecção atuam de forma parecida com correntes em fios. Na verdade, a verdade é não se sabe se é verdade, mas existe a convicção de que está ligado à rotação do núcleo e sua natureza líquida. Marte e a Lua, que não tem núcleos líquidos, não possuem magnetismo.

      A inversão do campo magnético, por outro lado, não é fruto de imaginação, ou de estudos indiretos. É real mesmo! E é fácil (pra eles!) de se demonstrar. Todos elementos que tenham propriedades magnéticas e que se encontram em rochas superaquecidas, líquidas portanto, mantém este “alinhamento” quando a rocha em que está se esfria. Assim, “registram” o alinhamento do campo magnético da Terra em determinado tempo geológico. Assim, basta encontrar estas rochas, que contém estes elementos, e eureca!

      Já se sabe que acontece uma inversão a cada 500 mil anos. Estamos atrasados, pois a última aconteceu há cerca de 750 mil anos. Às vezes, o campo magnético fica inalterado por milhões de anos – o maior período encontrado foi de 37 milhões anos. Em outras, mudou rapidamente e se inverteu em meros 20 mil anos. Nos últimos 100 milhões, o campo se inverteu cerca de 200 vezes, mas, na verdade verdadeira, ao se sabe o motivo!

      Você disse, “Putz, queria muito viver pra ‘ver’ uma inversão no campo magnético da Terra, só pra ver no quê que dava.”. Primeiro, você pode estar “vivendo” numa inversão do campo magnético. Este campo diminuiu 6% nos últimos 100 anos. Não é nada, não é nada… não é nada mesmo! Ainda.

      Mas, veja só. O campo magnético, além de prender cestinhas, uma guitarra, e recadinhos na nossa geladeira, e, claro, fazer com que os fabricantes de bússolas ganhem seu suado dinheirinho, ele nos protege de uma porrada de raios cósmicos, que sem a proteção magnética, bombardeariam nossos corpos, atravessando-os, e, alguns, detonariam nosso DNA.

      Estes raios são afastados pára duas áreas, duas zonas no espaço, próximo a Terra, chamadas, Cinturões de Van Allen (Não confundir com o magnífico e, por que não dizer, demoníaco Edward Lodewijk Van Halen, mais conhecido como Eddie Van Halen da banda Van Halen – o nome do cientista que descobriu é James Van Allen).

      Sabe as belas auroras boreais? Pois é, nada mais é que estas partículas, rompendo os cinturões, atingindo a alta atmosfera terrestre

      Quanto à deriva continental, fica pra próxima, pois tenho que ir atrás do leite das crianças! 😉

      Forte abraço.

  6. Lucas Câmara disse:

    Pois é, a história da inversão do campo eu já conhecia, e acho esse papo de datação magnética fenomenal. Óbvio que eu jamais pensaria nisso…
    A 2ª guerra e o pós-guerra foram um puta avanço pra geofísica, que trouxe um puta avanço pro nosso conhecimento da Terra. A geofísica marinha, especialmente, cresceu exponencialmente.(acho que meio que ‘nasceu’ nesse período.)
    O geodínamo eu não estudei, mas também é outra loucura. Curioso dizer que estudaste essas divisões da Terra( crosta, manto, astenosfera blablabla) na escola, eu só vi na universidade mesmo.
    Na escola a gente acaba vendo muita teoria de modo chato e pouca física aplicada. Matemática então, a gente sai da escola achando que é uma coisa totalmente abstrata e sem aplicação.

    Mas enfim, isso já é outro papo…

    • Sorte daquele que pega um professor que saiba motivar a inteligência, a curiosidade do aluno. Aulas monôtonas são o “ó do bobó!”.

      A geologia e a geofísica nem sempre andam juntas, por isso ficam dando “cabeçadas” isoladas, quando poderiam dar “cabeçadas” certeiras juntas.

      Eras, então a professor Georgina era das boas mesmo, pois ela deu estas divisões!

  7. Equipe 3 pontos disse:

    Pois bem caro Lafa, eu tive uma pequena desavença com a direção de um colegio, justamente por motivar os alunos. Interagi os assuntos da matemática cartesiana com a mitologia, a história atras de cada formula, pois ja estava cansada de ouvir as mesmas perguntas: PRA QUE SERVE ISSO FESSORA? Quando a outra professora continuou minha aula, os alunos reclamaram que ela não estava explicando da mesma forma que eu havia explicado, RESMINDO, eu nao posso fugir do que esta no padrao do pcn… Professores que DESEJAM E TENTAM fazer a diferença, esta cheio… assim como o material que recebemos pra trabalhar em cima, porém… é tudo ilusão. Paro por aqui! Nao trata apenas de dinheiro em minimo e cobrança em máxima…. e sim um modelo ideal onde permitam que os alunos aprendam por ser viável um pais em desenvolvimento de ascenção… porém…. o viável real, é a estagnação. É ideal um sistema falido, para que todos possam culpar e dizer que dalí vem a falha universal: educação!

    • A escola, ou melhor, o dono da escola é que não estava preparado para você!

      Não desista, sempre haverá alunos que preferem aulas que fazem a diferença.

      Dos educadores caretas, ou melhor, dos cegos do castelo te despede e vai, a pé até encontrar um caminho, um lugar para que tu és… 😉

  8. Joab disse:

    A Bíblia no Livro do Apocalipse está prevendo um impacto de asteróide. Veja como tudo o que ela diz enquadra-se como o resultado de um impacto de Asteróide. Primeiro, ela revela o asteróide: “E caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha.”[Apoc.8:10] Outro texto: “Foi lançada no mar uma coisa como um grande monte, ardendo em fogo.”[Apoc.8:8] Agora, vejamos as consequências:

    CONSEQUENCIAS:

    1) UM TREMOR SEM PRECECENTES:

    “(…) houve um grande tremor de terra… e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.”[Apoc.6:14,14]

    “(…) e um grande terremoto, como nunca tinha havido desde que há homens sobre a terra; tal foi este tão grande terremoto. E … as cidades das nações caíram…”[Apoc.16:18,19]

    2) LANÇAMENTO PARA A ATMOSFERA DO ELEMENTO QUE CAUSARÁ A ESCURIDÃO (FIGURA):

    “(…) e vi uma estrela que do céu caiu na terra … e subiu fumo do poço, como o fumo de uma grande fornalha, e com o fumo do poço escureceu-se o sol e o ar.”[Apoc.9:1,2]

    (As imagens são vistas em visões na mente, e em pressentimentos)

    3) PROCESSO INICIAL DA ESCURIDÃO:

    “(…) e foi ferida a terça parte do sol, e a terça parte da lua, e a terça parte das estrelas, para que a terça parte deles se escurecesse, e a terça parte do dia não brilhasse, e semelhantemente a noite.” [Apoc.8:12]

    4) O IMPEDIMENTO DA LUZ SOLAR:

    “(…) e o sol tornou-se negro, como saco (gr. roupa) de cilício (gr. preto).[Apoc.6:12]

    5) ESCURECIMENTO DA ATMOSFERA:

    “(…) escureceu-se o sol e o ar.”[Apoc.9:2b]

    6) PERDA DA VISBILIDADE CELESTE:

    “E o céu retirou-se, como um livro que se enrola …”[Apoc.6:14ª]

    7) LUA COM APARÊNCIA AVERMELHADA:

    “(…) e a lua tornou-se como sangue.”[Apoc.6:12]
    (resultado de poeira e fumaça)

    8) GRANDE ATIVIDADE VULCÃNICA:

    “Por estas três pragas, foi morta a terça parte dos homens, isto é, pelo fogo, pelo fumo, e pelo enxofre, que saía das suas bocas.”[Apoc.9:18/9:13-21] (FIGURAS)

    9) DETONAÇÃO DE ARTEFATOS NUCLEARES:

    “(…) e fez-se uma chaga má e maligna nos homens …”[Apoc.16:2]

    10) ÁGUAS OCEÂNICAS POLUÍDAS:

    “(…) o mar … se tornou em sangue como de um morto, e morreu no mar toda a alma vivente.”[Apoc.16:3]

    11) ÁGUAS DOCES POLUÍDAS:
    “(…) os rios e … as fontes das águas … se tornaram em sangue.”[Apoc.16:4]

    12) CONVULÇÕES ATMOSFÉRICAS:

    “(…)E houve … trovões, e relâmpagos …”[Apoc.16:18]

    13) INVERNO NUCLEAR:

    “E sobre os homens caiu do céu uma grande saraiva, pedras do peso de um talento …”[Apoc.16:21]

    14) PROPAGAÇÃO DO CALOR:

    “E os homens foram abrasados, com grandes calores.”[Apoc.16:8,9] (FIGURA)

    (DETALHE: TODOS ESTES ACONTECIMENTOS CITADOS TEM HAVER COM O QUE A CIÊNCIA APRESENTA COMO CONSEQUÊNCIA DE UM IMPACTO DE ASTERÓIDE.)

    • João, Nostradamus era Deus? Ele também fez suas previsões, e de acordo com quem acredita, ele acertou várias delas!

      Amigo, a interrpretação está na cabeça de quem lê e acredita, acredite em mim! 😉

      Lulu Santos, por exemplo, previu o Tsunami da Indonésia! Não acredita em mim? Ora, veja só:
      1) TUDO DESTRUÍDO, APÓS A PASSAGEM DO TSUNAMI:
      Nada do que foi será
      De novo do jeito que já foi um dia
      Tudo passa
      Tudo sempre passará

      2) OS CORPOS (VIDA) VINDO BOIANDO NAS ÁGUAS. E, PREVÊ QUE, INFINITAMENTE, OCORRERÃO OUTROS:
      A vida vem em ondas
      Como um mar
      Num indo e vindo infinito

      3) SERÁ TUDO RÁPIDO:
      Tudo que se vê não é
      Igual ao que a gente
      Viu há um segundo
      Tudo muda o tempo todo
      No mundo

      4) PREVIU QUE NÃO HAVIA PARA ONDE CORRER, SE ESCONDER, TAMANHA ERA A TSUNAMI:
      Não adianta fugir
      Nem mentir
      Pra si mesmo agora

      5) MUITO CORPOS, MUITOS CORPOS:
      Há tanta vida lá fora
      Aqui dentro sempre

      6) ELE AVISOU, ELE AVISOU, MAS NINGUÉM LHE DEU OUVIDOS:
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar
      Como uma onda no mar

  9. Joab Moreira disse:

    Lafayette

    Amigo, a interrpretação está na cabeça de quem lê e acredita, acredite em mim!

    J-B: Isto pode ser perfeitamente aplicado a tua interpretação, e não ao que eu citei.

    Lulu Santos, por exemplo, previu o Tsunami da Indonésia! Não acredita em mim? Ora, veja só:

    J-B: PARECE MAIS NÃO É. A BÍBLIA É MAIS ESPECÍFICA.

    1) TUDO DESTRUÍDO, APÓS A PASSAGEM DO TSUNAMI:

    Nada do que foi será
    De novo do jeito que já foi um dia
    Tudo passa

    J-B: Neste caso, isto seria uma aplicação a diversas outras tragédias já ocorridas. NÃO ESTÁ ESPECIFICADO!!

    Tudo sempre passará

    J-B: A passagem de TUDO (TODOS), nem sempre é por tsunami!!

    2) OS CORPOS (VIDA) VINDO BOIANDO NAS ÁGUAS. E, PREVÊ QUE, INFINITAMENTE, OCORRERÃO OUTROS:

    A vida vem em ondas
    Como um mar

    J-B:

    1)Não se trata mais de vidas (se são cadáveres)

    2)”COMO (SEMELHANTE) UM MAR”, E NÃO PELO MAR.

    Num indo e vindo infinito

    J-B: SERÁ QUE AINDA ESTÃO LÁ, INDO E VINDO? (INFINITO)

    3) SERÁ TUDO RÁPIDO:

    Tudo que se vê não é
    Igual ao que a gente
    Viu há um segundo

    ISTO NÃO SE APLICARIA SÓ AO EPISÓDIO CITADO POR TE, COMO JÁ DISSE.

    Tudo muda o tempo todo
    No mundo

    J-B: SE REFERIU A TUDO NA VIDA, E NÃO SÓ A TSUNAMI!!

    4) PREVIU QUE NÃO HAVIA PARA ONDE CORRER, SE ESCONDER, TAMANHA ERA A TSUNAMI:

    Não adianta fugir

    J-B: DA MUDANÇAS NA VIDA: ENVELHECIMENTO?!

    Nem mentir
    Pra si mesmo agora

    J-B: ESTA ÚLTIMA NADA TEM HAVER COM TSUNAMI!!

    5) MUITO CORPOS, MUITOS CORPOS:
    Há tanta vida lá fora
    Aqui dentro sempre

    J-B: CORPOS NÃO SÃO VIDAS!!

    6) ELE AVISOU, ELE AVISOU, MAS NINGUÉM LHE DEU OUVIDOS:
    Como uma onda no mar
    Como uma onda no mar
    Como uma onda no mar

    J-B: “COMO”, SEMELHANTE, PARECIDO, E NÃO: “COM UMA ONDA DO MAR”!!

    ENTÃO, PODEMOS VER QUE EXISTE MUITA DIFERENÇA ENTRE AFIRMAÇÕES SUBJETIVAS E AS CITAÇÕES OBJETIVAS DA BÍBLIA.

  10. JOAB disse:

    DE JOAB PARA LAFAYETTE:

    “ELE AVISOU, ELE AVISOU, MAS NINGUÉM LHE DEU OUVIDOS”

    JESUS ESTÁ AVISANDO MAS NINGÉM LHE DÁ OUVIDOS:

    JESUS: “Mas vós vede; eis que de antemão vos tenho dito tudo.”[Mateus 13:23]

    • Joab és uma figura comum! Daquelas pessoas que não desistem nunca de impor suas idéias, pensamentos, ideologias, crenças, dogmas etc.. Ao contrário do que normalmente se pensa de pessoas assim, acho isto um barato!

      Amigo, este modo de ser é tão antigo, mas tão antigo que os dedos nem estalão mais! 🙂

      Mas, já disse, já avisou o sábio, Falcão:

      A Besteira é a Base da Sabedoria

      “Talvez seja melhor calar,
      porque falando é meio caminho andado.

      Por outro lado, eu fiz um estudo
      e sei que “é melhor falar besteira do que ser mudo”.

      E sendo eu um grande entendido no assunto,
      eu paro e vejo como tem gente besta no mundo.

      E sinto quão sábia é a vaca,
      que segue cagando e andando pra não fazer ruma.

      Mas eu posso ver mais longe,
      sobre a cabeça do povo.

      Mamãe diz que eu sou um pão
      e o que vale é a intenção.”

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