Canteiros (Fagner)

Marcha (Cecília Meireles)

As ordens da madrugada
romperam por sobre os montes:
nosso caminho se alarga
sem campos verdes nem fontes.

Apenas o sol redondo
e alguma esmola de vento
quebraram as formas do sono
com a ideia do movimento.

Vamos a passo e de longe;
entre nos dois anda o mundo,
com alguns vivos pela tona,
com alguns mortos pelo fundo.

As aves trazem mentiras
de países sem sofrimento.

Por mais que alargue as pupilas,
mais minha duvida aumento.

Também não pretendo nada
senão ir andando a toa,
como um numero que se arma
e em seguida se esboroa,
– e cair no mesmo poço
de inércia e de esquecimento,
onde o fim do tempo soma
pedras, aguas, pensamento.

Gosto da minha palavra
pelo sabor que lhe deste:
mesmo quando e’ linda, amarga
como qualquer fruto agreste.

Mesmo assim amarga,
é tudo que tenho,
entre o sol e o vento:
meu vestido, minha musica,
meu sonho, meu alimento.

Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudades;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.

Soltam-se os meus dedos tristes,
dos sonhos claros que invento.

Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento.

Como tudo sempre acaba,
oxalá seja bem cedo!

A esperança que falava
tem lábios brancos de medo.

O horizonte corta a vida
isento de tudo, isento…

Não há lagrima nem grito:
apenas consentimento.

Anúncios

Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
Esse post foi publicado em Música, Mistérios que me afligem a alma!. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s