Entre permanências e mudanças

O Deputado Estadual, Carlos Bordalo, em seu blog, entrevistou o marqueteiro Chico Cavalcante, dono da Vanguarda Propaganda e da V2 Vanguarda Comunicação de Varejo. Tem várias dicas, inclusive a resposta que vai dar aos que fazem piadas com a forma física da Governadora. Leia:

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

“O drama do PSDB é o mesmo. Eles eram permanência quando o povo queria mudança e hoje são mudança quando o povo quer continuidade”

Realizando sempre um trabalho de resultados, Chico já ajudou a eleger muitos candidatos. Recentemente, em 2006 atuou como Coordenador de Estratégia nas campanhas do Partido dos Trabalhadores no Pará e em Rondônia. Aqui, ajudou a eleger a então senadora Ana Júlia Carepa governadora do Estado. Em Rondônia, com a senadora Fátima Cleide, candidata do PT, foi o responsável pela campanha de maior crescimento percentual do país para a sua legenda naquele ano. Em 2008, em São Luís do Maranhão, assumiu a campanha do candidato do PCdoB, Flávio Dino, que, partindo de 4% de intensões de voto, chegou ao 2º Turno da eleição. Em Santarém, formulou a estratégia que levou Maria do Carmo, candidata do PT, a se reeleger, partindo de uma posição onde aparecia nas pesquisas com até 30% atrás do candidato adversário.

Sócio fundador e Presidente da Vanguarda Propaganda e da V2 Vanguarda Comunicação de Varejo, Chico Cavalcante tem 30 anos de experiência profissional e atua também como consultor de empresários, políticos e administradores. Em 1992 fundou a sua primeira agência, a Vanguarda Propaganda, uma das maiores do mercado.

Premiado em certames nacionais e internacionais de propaganda, Chico Cavalcante já escreveu seis livros, sendo quatro destinados à área de comunicação e marketing. “Faça Marketing de Guerrilha” foi o primeiro livro escrito por um brasileiro sobre o tema e a mais citada referência bibliográfica de autor nacional no assunto.

Nessa entevista, Chico mostra por “A mais B” porque a governadora Ana Júlia tem todas as probabilidades de se reeler para mais quatro anos de mandato popular no Executivo paraense.

Deputado Bordalo – A partir de primeiro de janeiro, as pesquisas tem que ser registradas no TRE. O que muda, em termos de confiabilidade e perspectivas na visão de quem teve acesso aos dados “informais”?

Chico Cavalcante – Pesquisas eleitorais feitas antes do início do período de propaganda gratuita no rádio e na TV tem pouca valia real. Servem mais para avaliar o nível de conhecimento e rejeição, elementos que podem ser alterados no curso da campanha. É por isso que as pesquisas eleitorais erram tanto a não ser quando o curso dos acontecimentos é óbvio, como aconteceu com Lula em 2002. Em 1994 Almir Gabriel aparecia em terceiro lugar, tendo Jarbas Passarinho na liderança das pesquisas e o resultado foi a vitória de Almir. Em 1996, Edmilson aparecia em último lugar nas pesquisas e venceu o pleito em Belém; em 2002, Maria do Carmo, hoje prefeita de Santarém, nem aparecia nas pesquisas e foi ao segundo turno sendo derrotada por uma ninharia de votos que o PT teria obtido se compusesse com o PMDB; em 2006 Almir liderava as pesquisas e perdeu as eleições com uma margem larga para Ana Júlia. Então, nesse momento, sejam formais ou informais os dados de uma pesquisas servem para que a gente veja um simples fotograma de um filme inteiro que é o processo eleitoral.

Deputado Bordalo – A governadora aparece nas pesquisas com alto índice de rejeição. Qual a estratégia para reverter esse quadro? E especialmente na região metropolitana?

Chico – Não conheço a pesquisa à qual você se refere; conheço apenas a repercussão dela nos blogs. Não sei se ela é real. Mas se ela for efetiva, ou seja, se houver um alto grau de rejeição agregado a Ana Júlia ele deve estar calcado no desconhecimento de seu trabalho como governadora ou apoiado no preconceito contra a mulher, que se revela em certa crítica feita em notas de jornais que atacam pessoalmente a governadora por discriminação de gênero. Não é, portanto, rejeição no sentido que a sociologia aplicada à pesquisa confere ao termo. Em pesquisa qualitativa podemos aplicar um simples formulário para conhecer esse eleitor e saber qual o argumento que lhe assegura uma mudança de posição e com isso estabelecer se essa “rejeição” é política ou produto da ignorância. Ou seja, o período de propaganda gratuita é que dará ao eleitor a oportunidade de ouvir os argumentos necessários para fazer sua escolha de maneira clara. Até lá estamos na fase do que chamo de especulação politizada.

Deputado Bordalo – Como o povo do Pará enxerga governo Ana Júlia? É correta a déia de “governo sem obras” ou que “cuida das pessoas”?

Chico – Ana Júlia tem uma imagem de guerreira, de lutadora, de vencedora. Essa imagem está intacta. Quem se aproxima dela e percebe como a governadora consegue andar, caminhar, viajar por todo esse estado sustentada em uma perna que foi destroçada por uma fratura imobilizante, saberá do que estou falando. Ela tem fibra, tem coração e disposição para a disputa. No entanto houve, durante o primeiro ano e meio de seu governo, um ataque voraz dos adversários contra ela e isso deixa marcas. É natural. Como é natural que se cobre de quem se elegeu amparado na bandeira da mudança que as mudanças estruturais ocorram radidamente. Veja Obama. Mas a realidade não é assim. Os tucanos ficaram doze anos no poder e não fizeram nenhuma mudança estrutural; ao contrário, desmontaram a estrutura produtiva e fragilizaram a máquina pública, com consequencias sérias no campo na saúde, educação e segurança. De memória, lembro de seis obras que foram propagandeadas por eles, algumas por pura liberdade poética, como o Aeroporto de Belém, reconstruido pela Infraero e apropriada pelos amarelos locais. Ana Júlia está sendo cobrada como se estivesse governando há décadas; poderia estar fazendo obras de fachada, mas seu governo assumiu uma tarefa grandiosa: mudar o modo como se faz política pública, dando ênfase às pessoas, fazendo apenas obras que beneficiam diretamente a população e ajudam no desenvolvimento local. Nem todas são obras grandes, como a de aproveitamento da água da chuva por comunidades ribeirinhas, embora as grandes obras existam, como é o caso do Ação Metrópole, o projeto que dará mobilidade urbana à capital, hoje estrangulada, o Bolsa Trabalho, que remunera jovens enquanto os qualifica para o mercado de trabalho ou o Navegapará, que está levando internet gratuita e com isso educação, informação e formação aos lugares mais remotos do Pará. E esse deve ser o foco de um governo popular: as pessoas primeiro.

Deputado Bordalo – Na eleição de 2002, conseguimos trazer o PSDB para o nosso campo da disputa, isto é, saimos das obras faraônicas para a área social. Qual o nosso “campo de disputa” em 2010?

Chico – O nosso campo de disputa será sempre o social. Para a esquerda, obras só servem quando ajudam a mudar a vida das pessoas e a preservação do meio-ambiente é, antes de tudo, a preservação da vida humana. Essa é a nossa pauta em 2010 e será sempre. Nisso podemos dizer que somos totalmente previsíveis. As crises de nosso tempo podem e devem ser vistas como oportunidades revolucionárias para a esquerda, e como tal temos o dever de afirmá-las e concretizá-las sempre no sentido de dar às pessoas as condições para seu crescimento material e imaterial. As eleições são também uma oportunidade para essa disputa de idéias e pontos de vistas e não apenas um embate entre plataformas táticas.

Deputado Bordalo – Tenho insistido aqui no blog que a rejeição da governadora é menos rechaço político e mais falta de informação, a ausência de nomes e números na propaganda. Concordas comigo ou chegamos numa faixa crítica?

Chico – A comunicação do governo está ajustada, mas a capacidade de mídia do governo não é tão grande quanto foi nos governos passados, …

Leia o restante da entevista, aqui…


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Xipaia... o último dos guerreiros!
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