O Surdo e o Pandeiro

Totonho e Paulinho Rezende, dois sambistas, letristas, compositores, músicos e, nas horas vagas, gênios, em 1975, compuseram O SURDO. E deram para Alcione. Vai, Alcione, emociona e faz sucesso, disseram.

Ela foi e fez sucesso, seu primeiro sucesso nacional.

Chico da Silva e Venâncio, dois gênios, e nas horas vagas, sambistas, letristas, compositores e músicos, em 1977, compuseram PANDEIRO É O MEU NOME, como resposta ao “O Surdo”. Deram para mesma Alcione. Vai, Alcione, emociona, mais uma vez a gente, disseram.

Ela foi, cantou e cravou o nome na história da música.

Aprimorou e dominou, cada vez mais, a bela voz, negra de mulata mulher maranhense.

Pandeiro é meu Nome (Composição: Chico da Silva/ Venâncio)

Falaram que meu companheiro

Meu amigo surdo, parece absurdo

Apanha por tudo

Ninguém canta samba

Sem ele apanhar

Não ouviram que seu companheiro

Amigo pandeiro

Também tira coco do mesmo coqueiro

Apanha sorrindo pra povo cantar

Pandeiro

Não é absurdo mas é o meu nome

Não me chamo surdo mas aguento fome

Pandeiro não come mas pode apanhar

Ao povo que vibra na força do som brasileiro

Não é só o surdo nem só o pandeiro

Tem uma família tocando legal

Você cantando, tocando e batendo na gente

Passando por tudo tão indiferente

Não conhece a dor do instrumental

Batuqueiro ê, batuqueiro

Cantando samba pode bater no pandeiro

Batuqueiro ê, batuqueiro

Cantando samba pode bater no pandeiro

O Surdo (Composição: Totonho e Paulinho Rezende)

Amigo, que ironia desta vida

Você chora na avenida

Pro meu povo se alegrar

Eu bato forte em você

E aqui dentro do peito uma dor

Me destrói

Mas você me entende

E diz que pancada de amor não dói

Meu surdo parece absurdo

Mas você me escuta

Bem mais que os amigos lá do bar

Não deixa que a dor

Mais lhe machuque

Pois pelo seu batuque

Eu dou fim ao meu pranto e começo a cantar

Meu surdo bato forte no seu couro

Só escuto este teu choro

Que os aplausos vêm pra consolar

Meu surdo, velho amigo e companheiro

Da avenida e de terreiro,

De rodas de samba e de solidão

Não deixe que eu vencido de cansaço

Me descuide desse abraço

E desfaça e compasso do passo do meu coração

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Xipaia... o último dos guerreiros!
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