Sozinha e Maria Rosa (Lupicínio Rodrigues)

O Youtube, já falei aqui, é a salvação do vídeo, do som, da imagem e da história do homem… é o M.I.S. que deu certo!

E tenho que a humanidade ainda não percebeu e, consequentemente, não conseguiu usar nem 1% da capacidade de registro, de transferência de cultura, de memória e de transformação que este canal de arquivo é capaz de proporcionar.

Vou postar dois vídeos aqui, que ilustram perfeitamente o que digo.

O primeiro é do cantor e compositor Dinho Caninana, interpretando duas musicas de Lupicínio Rodrigues. Com uma tacada só, o Youtube apresenta, para quem não o conhece, um intérprete maravilhoso, e duas poesias deste poeta gaucho: Lupe.

Sozinha (Lupicínio Rodrigues)

Vivia sozinha,
Num ranchinho velho, feito de sopapo,
o seu rádio de noite era o canto de um sapo,
sua cama uma esteira entendida no chão.
Sua refeição era um bocado de charque e farinha,
pois nem prá comer a coitada não tinha,
sequer no café, um pedaço de pão.

Levei pro meu sítio,
troquei por cetim os seus trapos de chita,
até prá “marvada” se ver mais bonita
pus luz no seu quarto, invés de candeeiro.
E só por dinheiro, sabem o que fez essa ingrata mulher?:
fugiu com o doutor que eu mesmo chamei
e paguei prá curar os seus bichos-de-pé.

Assim me falou
um pobre matuto, coitado, chorando
em seu desespero foi me ensinando,
que em todo lugar mulher sempre é mulher.
Se pede uma flor e a gente lhe dá ela exige uma estrela
e se por acaso ela não obtê-la
se vai com o primeiro homem que lhe der.

________________/

Maria Rosa (Lupicínio Rorigues e Alcides Gonçalves)

Vocês estão vendo aquela mulher de cabelos brancos
Vestindo farrapos calçando tamancos
Pedindo nas portas pedaços de pão ?
A conheci quando moça era um anjo de formosa
Seu nome: maria rosa, seu sobrenome: paixão
s trapos de suas vestes não é só necessidade
Cada um, para ela, representa uma saudade
Ou de um vestido de baile, ou de um presente , talvez
Que algum dos seus apaixonados lhe fez
Quis certo dia maria por a fantasia de tempos passados
Por em sua galeria uns novos apaixonados
Esta mulher que outrora a tanta gente encantou
Nenhum olhar teve agora, nenhum sorriso encontrou
E então dos velhos vestidos que foram outrora sua predileção
Mandou fazer essa capa de recordação
Vocês marias de agora, amem somente uma vez
Prá que mais tarde esta capa não sirva em vocês.

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Xipaia... o último dos guerreiros!
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