A praga dos partidos…

A Edilza Fontes, no seu blog, nos mostra as entranhas de um partido… qualquer partido.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Esta foto é do encontro do PT realizado em Junho de2006, no sindicato dos Bancários que referendou o nome da então senadora Ana Júlia para disputar o governo do Estado e para disputar o senado, o então deputado estadual Mário Cardoso. Na foto , da direita para esquerda, Bira Rodrigues, candidato a deputado federal, Pedro Gemeo e Sueli Oliveira candidatos a deputado(a) federal, Mário Cardoso, Senadora Ana Julia, deputado federal Zé Geraldo E um companheiro de Xinguara, também candidato a deputado estadual.
Prefeito Darci de Parauapebas , no mesmo encontro. Ao fundo Luís Carlos Pies, marido de Bernadete Ten Catem, então presidente do Incra de Marabá.
Parte da militância da DS, neste encontro, como Salete, Adriano, Helena Naum, Freitas, Débora Amoras e outros, comemorando o resultado do encontro que referendou o nome de Ana Júlia, para concorrer ao governo do Estado.

Recebi um comentário de um internauta, colocando que seria justo a disputa no sudeste do Pará da forma em que estava se dando, ou melhor sendo conduzida pelo Chefe da Casa Civil e defendendo que no PT não tem curral eleitoral e por isto não via problema na disputa estabelecida , ou seja, que era justo a troca do superintendente do Incra de Marabá por outra pessoa indicada pelo chefe da Casa Civil. Pensei muito e resolvi responder esta assertiva para que os bons costumes se reestabeleçam e a postura ética prevaleça.

A política é a arte do diálogo e do acordo. A palavra parlamento vem do latim parlar, falar, expor ideias. È arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida, já dizia nosso poeta Vinicius de Moraes (ele fala isto para o amor, eu uso para política). É um campo de atuação onde o que vale é a palavra dada, seja qual for o acordo feito. Mais são acordos que geram posturas, novos acordos e relações de afinidades políticas e convivências estabelecidas, por mais que pontuais e temporárias.

Em 2006, o PT fez um encontro para definir seu candidato ao governo em maio. Varias lideranças do PT já haviam pedido para a então senadora Ana Júlia se lançar candidata ao governo. A senadora Ana Júlia não aceitava apresentar seu nome ao partido, tinha saído de uma recente campanha para prefeita de Belém e queria passar os próximos anos dedicada ao senado. Lembro que ela me proibiu de apresentar seu nome no encontro do PT. Lembro que outros companheiros defendiam seu nome para candidato, como Charles Alcântara, que fez uma carta defendendo a candidatura e entregou a ela, o Guedes, o Paulo Hainek, a Joana Pessoa, a Sueli Oliveira, a Graça Ganzer, o Valdir Ganzer, a Bernadete e o Zé Geraldo.

O encontro se realizou e Mário Cardoso foi escolhido por unanimidade. Depois com base nas pesquisas feitas, nas escutas do presidente Lula, das conversas com lideranças locais junto ao Lula, tudo mudou. Hoje é publico e notório que o deputado Jader Barbalho defendeu junto ao presidente a candidatura da senadora, logo construiu-se a convicção de que o nome da senadora Ana Júlia era o melhor nome para disputa local e para alavancar a candidatura da reeleição do presidente Lula.

Havia problemas, que era convencer o companheiro Mário, sem deixar fissuras nas relações, convencer o grupo do Paulo Rocha para vir para campanha, convencer a AS e refazer o encontro com os mesmos delegados do encontro anterior para trocar o nome.

Estas tarefas não foram fáceis. Primeiro a própria candidata tinha que ser convencida, o candidato Mário Cardoso tinha que ser convencido e protegido para que sua renúncia não desgastasse a imagem pública do companheiro. Tínhamos que achar um novo espaço que privilegiasse o companheiro. Nestas alturas o ex-deputado Paulo Rocha estava muito preocupado com sua candidatura á deputado federal e tínhamos que ao reposicionar o Mário Cardoso não prejudicar a candidatura do Paulo Rocha.

Vejam tudo feito com muita verve, muito diálogo, muito acordo e acima de tudo muito cuidado, para que as mudanças não fossem feitas quebrando relações, usando a máquina, ferindo pessoas . Um momento difícil que o PT, o partido como um todo repactuou. Fomos para campanha unificados e ganhamos uma eleição com garra e firmeza de propósitos, com postura de partido.

Muitas conversas, muitos diálogos e muitos acordos. Participei de reuniões na casa de Zé Geraldo em Brasília, e aqui quero destacar a postura do Zé Geraldo, que éra o presidente do PT, e a postura do PT pra Valer. O deputado defendeu de pronto a troca de nomes, e se colocou com uma postura frontal ao antigo campo majoritário. O PT pra Valer, assinou junto com a DS o pedido de novo encontro do diretório, para rediscutir a nova conjuntura. Ou seja, Ana Júlia só foi candidata dentro desta conjuntura.

Até as vésperas do encontro nós íamos desunidos para o evento. Uma de minhas tarefas foi organizar a vinda dos delegados para Belém e Bernadete e Luís Carlos, junto com companheiros da DS das regiões sul e sudeste, organizaram as caravanas. Dois ou três dias antes do encontro o acordo foi selado e o candidato Mário Cardoso foi galgado para disputa ao senado. Diante de uma conjuntura adversa, nós repactuamos e conseguimos ver o que seria melhor para o partido e todos se colocaram na disputa para novas batalhas.

Você deve estar pensando, o porque desta história e a relação com o presente? Tem tudo haver. Tem haver com a postura, tudo foi debatido e repactuado, tudo feito com cuidado para o resultado fosse à união do PT. Tudo feito em nome do PT, da candidatura da reeleição do Lula e tudo feito com respeito. Uma conjuntura dificílima e nós soubemos enfrentar.

O PT é um partido de cumpri acordos, que faz política com postura e não é ingrato. Este é o meu partido, o partido que ajudo a construir a 30 anos.

A governadora soube retribuir a postura do PT pra Valer, deu a esta tendência, varias secretarias e órgãos no governo. Foi sabiamente grata, parceira e companheira, para com eles. Como então as coisas mudam e chegamos à situação que observamos na crise que levou a saída do chefe da Casa Civil, doutor Cláudio Puty?

Resposta: Porque a cultura do PT não foi respeitada, por que a condução da política feita por Cláudio Puty foi desastrosa e levou para o esgarçamento de relações internas. Por que ao pensar em trocar a superintendência do Incra de Marabá por Ademir Martins, sem acordar antes, sem dialogar, sem parlar, usando a posição do seu cargo, ele estabeleceu relações de conflitos, de disputa e de desagregação. O PT reage, e não poderia se esperar outra postura. O PT busca sua sobrevivência como partido que tem uma cultura, como conduta e diz a ele PARE! Você não tem experiência e autoridade suficiente para atravessar este Rubicão. Você não é nosso general! Você não é nosso lider!

Só quem não conhece o PT poderia pensar que o Deputado Zé Geraldo aceitaria o golpe calado. Zé Geraldo, na verdade, estava cobrando cumprimento de acordo feito, com base em uma representação parlamentar saído das eleições de 2006. Se a DS ou Cláudio Puty querem o Incra de Marabá, que ganhem a eleição para deputado federal antes . Esta é a cultura instalada. Reconhecida.

A governadora acionada como magistrada do PT, sabiamente recompôs às posturas e impediu uma ingratidão para com o deputado Zé Geraldo. Esta crise foi criada por inabilidade política de quem não viveu a cultura partidária por anos e não conhece o PT por dentro. Ao militante novo, aprenda que no PT há regras e posturas e você militante da DS, sinta-se contemplado com esta crise e pense que toda crise renova estruturas e postura e constroí-se o novo.

VIDA LONGA AO PT.

Postado por Edilza Joana Oliveira Fontes às 03:00
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