QUARENTA ANOS !

A Canção da Vida (Mario Quintana)

A vida é louca
a vida é uma sarabanda
é um corrupio…
A vida múltipla dá-se as mãos como um bando
de raparigas em flor
e está cantando
em torno de ti:
Como eu sou bela,
amor!
Entra em mim, como em uma tela
de Renoir
enquando é primavera,
enquanto o mundo
não poluir
o azul do ar!
Não vás ficar
não vás ficar
aí…
como um salso chorando
na beira do rio…
(Como a vida é bela! como a vida é louca!)

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Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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8 respostas para QUARENTA ANOS !

  1. Lucas Câmara disse:

    As vezes acho que, 40 é uma versão melhorada (e um pouco fatigada, é verdade) de 20. Talvez eu ache isso porque tenho 19, mas, de qualquer forma, feliz aniversário, Lafa. Tudo de bom pra ti!
    Lembranças aos Andrés e à Aluísia.
    Abração,
    Lucas.

  2. Lafa,

    Pegaste-me de surpresa. Como então, fazes quarenta anos assim, de repente?

    Sabes aquela história do gato que subiu no telhado? Pois é, bem que poderias começar por aí.

    Tipo assim: fazer quinze anos, depois vinte, vinte e dois e, sucessivamente até os trinta e cinco.

    Daí pra frente, saboreando cada ano, como quem chora um ás no pôquer.

    De tanto te amar nem vi o tempo correr. Dizem que é assim mesmo quando se é feliz. Eu sou. Muito dessa felicidade devo a ti.

    Engraçado que nunca tenha te dito isso. Coisa de pudor de caboco.

    Estou ficando mole e besta.

    Meu filho caçula fez quarenta anos!

    Acho que somos da mesma idade.

    Como o tempo insere os filhos nos nossos currículos.

    Houve um tempo que vocês eram os filhos do André.

    Hoje fico cheio de pavulagem quando se referem a mim apenas como o pai do Lafayette, o pai do André, do Fernando, do Pedro.

    Obrigado,

    Feliz aniversário, meu filho,

    André

    “Canção dos quarenta anos”

    Poema, suspende a taça
    pelos dias que vivi,
    Espelho, diz-me em que jaça
    mais fiel me refleti.
    Quarenta anos correram
    e neles também corrí.

    Quarenta anos, quarenta!
    (Quantos mais ainda virão?)
    Morrerei hoje de infarto
    ou amanhã de solidão?
    Serei pasto da malária?
    Serei presa do avião?

    A morte engendra a esperança.
    A morte sabe fingir.
    A morte apaga a lembrança
    da morte que vai ferir.
    E em cada instante que passa
    a morte pode surgir.

    Quem pode medir um homem?
    Quem pode um homem julgar?
    Um homem é terra de sonhos,
    sonho é mundo a decifrar,
    naveguei ontem no vento,
    hoje cavalgo no mar.

    Hoje sou. Ontem, não era.
    Amanhã, de quem serei?
    Um homem é sempre segredos.
    (Por qual deles purgarei?)
    Dos meus netos, qual o neto,
    em que me repetirei?

    Que virtudes foram minhas?
    Que pecados confessar?
    Que territórios de enganos
    a meus filhos vou legar?
    A quem passarei meu canto
    quando meu canto passar!

    Ah! como a vida é ligeira!
    Ah! como o tempo deflui!
    Este espelho não mais fala
    da criança que já fui,
    das minhas rugas ruindo
    apenas um nome rui

    Quedê rede balançando?
    Quedê peixinhos do mar?
    Quedê figo da figueira
    pru passarinho bicar?
    E o anel que tu me deste
    em que dedo foi parar?

    Dezembro chama janeiro,
    (fevereiro vai chamar ?)
    Monte-Cristo se me visse
    não iria acreditar.
    Como está velho, diria
    a donzela Dagmar.

    Um homem cresce espalhando
    o reino em que foi feliz.
    Onde Athos? Onde Porthos?
    Onde o tímido Aramis?
    Um homem cresce querendo
    e cresce quando não quis.

    Crescer é rima de vida
    mas também é de morrer.
    Crescer é terna ferida,
    que só dói no entardecer.
    Em cada raiz da morte
    há sempre um verbo crescer.

    E cresço: macho e poeta.
    (Subo em linha, volto em cor)
    cresço violentamente,
    cresço em rajadas de amor,
    cresço nos filhos crescendo,
    cresço depois que me for.

    Cresço em tempo e eternidade,
    cresço em luta, cresço em dor,
    não fiz meu verso castrado
    nem me rendo ao opressor,
    cresço no povo crescendo,
    cresço depois que me for.

    E cresço na aurora livre
    galopando esse corcel.
    cresço no verso espumando
    entre as linhas do papel.
    cresço rubro de esperança
    na barba de Don Fidel.

    Quarenta anos, quarenta!
    (E nem sequer percebi!)
    Quarenta anos correram
    e neles também corri.
    E nesses quarenta anos,
    Oitenta de amor por ti.

    Violão de Rua – 1962
    (Cadernos de Povo Brasileiro)

    Ruy Barata

  3. Andre Nunes Fo. disse:

    Parabéns. Um dia chego a esta idade.
    André Filho

  4. Jônatas Andrade disse:

    Lafa, digamos que a família Nunes, aos 40 de seu caçula, ingressa definitivamente, e agora por completo, no auge de sua maturidade intelectual…aguenta mundo!!! Parabéns amigo!!!

  5. Belenâmbulo disse:

    Eita… só vi o post agora.
    Parabéns, meu amigo!

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