A quem interessar, possa…

Domingo, dia 11 de dezembro de 2011, os eleitores no Pará irão escolher se criam, ou não, os novos Estados do Carajá e do Tapajós, através de um Plebiscito.

Tal Plebiscito é o primeiro, depois da Constituição de 88, e, servirá de experiência para os outros que virão (e virão, tenham ciência disso).

Já me posicionei há tempos: VOTO SIM à criação dos novos Estados.

Já li, ouvi e vi todos os argumentos a favor e contrários ao tais novos Estados: Tem para curar ou para matar. À gosto do freguês.

Nenhum dos argumentos me convenceram, ou melhor, nenhum dos argumentos superaram o meu, próprio, que entendo instranponível: VOTO SIM PORQUE ELES QUEREM SE SEPARAR. Simples assim.

Ah, mas se pode contrapor: Então, vote NÃO porque nós não queremos dividir.

É que entendo que a união é vontade de todas as partes envolvidas, basta uma discordar para que seja feita a sua vontade, assim na terra como no céu.

Além do que, sou a favor da livre determinação dos povos e entendo que um Estado menor é melhor para ser administrado aqui para as bandas do Norte. É praticamente impossível que uma instituição, por exemplo, como o Poder Judiciário funcione bem às distâncias enormes das comarcas do Interior. Conheço várias e tenho certa dó do Magistrado e Serventuários em tais localidades.

De mais a mais, acho que vale tentar mudar, alterar o presente para ver se o futuro não seja mais o que era antigamente, como diria o Renato.

Anos e anos vejo pessoas do interior (Carajás e Tapajós), migrando pra Belém e arredores. Agora, eles só querem lutar pra mudar lá. Simples.

Todos os argumentos prós e contrários são válidos, até aquele que afirma que é puro oportunismo, e é. É a oportunidade deles!

Alguns argumentos, desdenham da nossa inteligência, como o de que Carajás ficará com o minério. Besteira que não merece nem muitas palavras. Se, e somente se, ficasse certo que a Lei Kandir iria ser revogada no dia posterior à divisão, aí não! seria o primeiro a dizer NÃÃÃO – adesivaria até as rodas do carro!

A que fala que o povo de Carajás e Tapajós não são daqui, são “forasteiros”, vieram de fora e por isso nos querem levar o que é nosso é outra argumentação de uma imbecilidade sem tamanho.

Ou melhor, desculpe-me por dizer assim. Ou é desconhecimento, ou é de má-fé, ou não parou dez tostões pra pensar… aí sim, ou é imbecilidade.

Nunca li algo tão específico daqui, mas li Casa-Grande e Senzala, do Freyre, claro, e outros, como Sergio Buarque de Holanda e seu Raízes do Brasil e os demais que retratam, de uma forma ou de outra, como Sertões, “Aos Trancos e Barrancos, Como o Brasil deu no que deu” etc, e posso afirmar sem errar, que muitos que aqui vivem, não sustentam o “Paraense no Sangue” já nos avós, paternos e/ou maternos. Se pularmos pra bisas, então… saímos até do continente!

Só quem não conhece como a Amazônia foi ocupada e o que os governantes faziam (e ainda fazem, como encher vagão de trem), pra achar que são paraenses da gema, tirando os Xipaias, Assurinins, Araras, Apinagés etc, claro.

Já li até artigo dizendo que, os verdadeiros paraenses, aqueles que estão nestas terras à mais de 400 anos, são os que irão votar pelo NÃO e que os demais é que saiam do Pará. Porra, todos nós nos fudemos nessa!

Fora a questão da xenofobia. Já li até ataques gratuitos aos amapaenses e eles sendo “exemplo” de “como é ruim dividir ou se emancipar, e, aí, viram? ficam elegendo Sarneys”.

Como se nós, “paraenses da gema” fôssemos a Virgem Imaculada dos que sabem eleger seus representantes políticos… quero vê é o povo “de lá” um dia, no futuro, gritarem pra cá, numa só voz: A GENTE NÃO QUERIA DIVIDIR O TERRITÓRIO, A GENTE QUERIA MESMO ERA NOS LIVRAR DE VOCÊS, QUE FICAM ELEGENDO (não somos, do Pará remanescente, a maior dencidade eleitoral, pois bem?) ESTAS TRANQUEIRAS. QUERÍAMOS, PELO MENOS, O DIREITO DE ELEGER AS NOSSAS PRÓPRIAS TRANQUEIRAS!!!

Mas, tudo isto é pra dizer que só uma coisa me convence de votar pelos SIM’s, um argumento, até então, repito, insuperável: ELES QUEREM SE SEPARAR.

Sabe, pra mim, duas ou mais pessoas, pra se unirem, todos têm que querer… mas, pra separar, basta um não querer mais.

Neste caso, agrava, pois a separação já existe, desde muito tempo. E vem sendo adubada com as políticas públicas, ou melhor, a falta delas, ao longo das décadas.

A Livre Determinação dos Povos, que prezo, acho que se aplica aos Plebiscitos de Carajás e Tapajós. É isto, e muito mais.

Aqui neste pequeno blog, tal assunto já foi permeado:

https://xipaia.wordpress.com/2011/12/03/so-assim/

https://xipaia.wordpress.com/2011/06/16/um-plebiscito-de-responsa/

https://xipaia.wordpress.com/2011/06/16/a-quem-convencer-carapalida/

https://xipaia.wordpress.com/2010/04/15/seu-deputado-federal-esta-ai/

https://xipaia.wordpress.com/2010/04/15/aprovado-urgencia-do-carajas-e-do-tapajos/

https://xipaia.wordpress.com/2010/04/07/estado-do-carajas-debater/

https://xipaia.wordpress.com/2009/12/08/estado-do-carajas-e-viavel/

https://xipaia.wordpress.com/2009/12/02/plebiscito-para-criacao-do-estado-do-carajas/

https://xipaia.wordpress.com/2009/12/02/estado-do-carajas-clamor-de-um-povo/

https://xipaia.wordpress.com/2009/11/25/divisao-do-estado-do-para-visoes-presentes-do-passado-futuro/

https://xipaia.wordpress.com/2009/06/02/dividindo-o-bolo/

Dessas postagens, colhi vários comentários, uns mantive, outros, foram parar na lixeira! De todos os comentários, concluí que os argumentos de quem não quer dividir é só com base no sentimento de não querer perder algo, como se o importante fosse a posse, mesmo que distante, nunca visitada, nunca preocupada com a situação da mesma.

Já os comentários dos que querem se separar, são permeados de sentimento de abandono, seja no Governo Estadual, seja do Federal, e, até mesmo, do Prefeito. Ou seja, por trás de tudo, está o descontentamento da população com os seus políticos.

Só sei que, a partir de Segunda-feira, dia 12, o Pará não será mais o mesmo, divido em três ou não.

E o Jatene, atual Governador, bem como os demais que virão, os políticos, gestores públicos, o Judiciário, enfim, o Estado lato sensu terá que ter uma outra atitude pública com aquelas áreas divisionistas, pois, eles já não aguentam!

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Xipaia... o último dos guerreiros!
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