DR. DAGOBERTO SINIMBÚ

Hoje fiquei sabendo que o Dr. Dagoberto Sinimbú morreu.

Grande dentista – odontólogo é para os demais, os comuns, os fasts-foods. Dr. Sinimbu era Dentista, assim, Dezão, grandão (permite, Lumena?). Um Dentista como antigamente, em que toda família tinha um padre/pastor, um médico, um carteiro, um leiturista da CELPA, uma mãe-pai-de-Santo e um dentista para chamar de seu.

Quando tinha uns 11 anos de idade, brincando de irritar o André, meu irmão, joguei uma chinela nele, pegando por trás do jornal que lia (sim, o André lia jornais aos 15, 16 anos). Ele, claro, correu para me dar porrada.

Fugi pelo apartamento, sai para o corredor pela cozinha. Ele atrás. Entrei pela porta da sala (naquele tempo, podia-se deixar abertas as portas). Ele atrás. Parei na “boca do corredor” dos quartos. Ele parou na entrada. Quando deu o passo, virei e “errei” o corredor, dando de boca na quina. Ui!

Quebrei dois dentes da frente. Raízes expostas.

Correria. Os velhos me levaram logo para um craque. Outro Dentista com Dezão (licença, Lumena): Dr. João Carlos Flexa Ribeiro, que, rapidamente, tirou a dor, fez os canais e, ainda, mandou me darem um picolé para chupar. Saímos do consultório dele, que ficava ali na Ó de Almeida e fomos para a TIP TOP (como me lembro disso? Meu irmão Fernando diz que tenho uma memória boa ou invento histórias bem antigas, para ninguém conseguir desmentir).

Uns dias depois, mamãe me levou para o Dr. Dagoberto Sinimbú. Seu consultório ficava ali na Tiradentes, com a Piedade.

Eu andava sem dois dentes da frente. Perturbado, como só Shakespeare disse, não me importava. Quem me conhece desde aquela época sabe disso. Andava, de boa, sem os dois dentes da frente.

Mas, Dr. Dagoberto, não. Experiente, sabia que isto poderia me trazer trauma futuro e tratou logo de por dois provisórios e, depois, com uma técnica e tecnologia avançadas para época, os “definitivos” que, para mim, de definitivos não tinham nada, já que, contrariando as suas recomendações, não deixava de comer maçãs, chupar caroço de manga, quebrar pata de caranguejo e, até mesmo, imaginem, abrir tampa de refrigerante com os dentes.

Ele ficava indignado quando, sei lá, já com 16 anos de idade, caia uma ou as duas coroas ou, até mesmo com o pino de ouro inteiro e demorava 1 mês para ir corrigir. Ele dizia: Como é que vais arrumar namorada assim, Lafayette! Respondia-lhe: Não arrumo, até porque a minha feiura nem precisa dessa ajuda! Ríamos.

Fiquei craque! Várias vezes ia lá, ele me dava uma cumbuquinha de borracha, uma espátula, uma bisnaga ou um vidrinho com um pó de cimento especial, um catalisador e acho que ia água. Ficava misturando tudo, até ficar uma massa com uma consistência tal – era só testar com um daqueles ferrinhos terríveis de dentista e sentir a viscosidade – ele, sentado mesmo, com algum outro paciente na cadeira – que uma hora dessas já tinha ouvido dele umas das milhares de histórias minhas com essa saga dos meus dentes caindo e rindo – e eu de pé, colava. Eu ficava pressionando com o dedão o dente e testando com o indicador a dureza. Quando pronto. Pegava um dos tais ferrinhos, tirava cuidadosamente o material que tinha transbordado pela borda e ia feliz de volta à vida.

Dr. Dagoberto, também ficou cuidando dos outros dentes. E, também, com maestria e paciência.

Tenho apenas um problema com Dentista: O uso, sempre, de anestesia!

Sim, para mim, anestesiar é fundamental. O Dr. Adriano Horta que o diga. Adoro tanto aquela seringa que, antigamente, tinha um chaveiro de metal com uma em miniatura.

Meu problema com dentista não é a dor da broca, mas, a espera, a expectativa de sentir a dor.

E pior.

Quando você passa 1 hora, ali, deitado, boca aberta, barulhinho e “cheiro de consultório dentário” e a dor não vem. Nooosa, isto me acaba mentalmente. A dor que não veio e maior que a dor da picada da anestesia.

Portanto, para mim, é fundamental, antes de qualquer coisa, anestesiar.

E assim foi, até, por algum motivo e circunstância, fui encher o saco de outro dentista.

Vá em paz, Dr. Sininbú, que a missão por aqui foi cumprida com louvor, pois, tratar as pessoas sem lhes provocar dores desnecessárias é algo memorável!

Sobre Lafayette

Xipaia... o último dos guerreiros!
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