BELÉM DO MEU AMOR

Belém
agora que tens
uma dúzia de seus bens
não sei se vais, não sei se vens

Belém
são tantos anos
te deixaram tantos danos
te abandonaram tantos manos

Belém
da paixão
do calor, do suor, da chuva 
daquela que invade o coração

E transborda
de ilusão
de querer-te
de abandonar-te
de querer-te, mais uma vez

Para que serves?
Qual teu destino?
Qual nosso destino?
Nós, que estamos
Embarcados em ti
E por ti, meu amor.
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TUDO ASSIM

Tudo dói
Tudo rói
Tudo mói
Tudo corrói
Tudo grava
Tudo filma
Tudo posta
Tudo mídia
Tudo pensa
Tudo responde
Tudo dúvida
Tudo certeza
Tudo critica
Tudo mira
Tudo vira
Tudo mirra
Tudo gira
Tudo reza
Tudo peca
Tudo meca
Tudo pesa
Tudo vinga
Tudo ginga
Tudo guimba
Tudo minha
Tudo tua
Tudo eu?

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PORTO DE NÓS

Somos como porto
Porto de nós
Chegamos saindo
Saímos para sempre

Nunca mais aportamos

A finitude é horizonte
O final, longe
O sempre, perto
O nunca, chega na hora desmarcada

E vamos vivendo

Perdemos ao ganhar
Dia após dia
Passados, no presente
Presentes, no futuro

O presente nos mata
Aos poucos, rapidamente

Vivemos sem prestar
Atenção na maior
Angústia que nos ronda
Espada de Dâmocles

Enfrentamos, há vida
A vida moral
A vida imoral
A vida escondida
A vida amante
Ávida em existir
Para sempre

E vamos morrendo

Morrendo de amores
Morrendo de sedes
Morrendo de paixões
Morrendo de verdades
Morrendo de mentiras
Morrendo por morrer
Morrendo por viver

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Samba Pra Ti

Eis um samba feito só pra ti
A melodia fiz assim
Quero sambar
Noite e dia sem fim
Até morrer no samba
Até morrer bamba

Na cadência do meu samba
Na malandragem da agonia
Sai melancolia
Vem a alegria pro teu coração

Fizestes tantos sambas
Tanto boleros antigos
Tantos versos amigos
Versos verões venais

Fostes tantas mulheres
Dessas que só dizem sim
Dessas que nem deixam a medida do Bonfim
Aquelas perfeitas só pra mim

Eita, que o samba vem
Que o samba vai
Derrubar o barraco
Derrubar o meu bem

Eis um samba feito só pra ti
A melodia saiu assim
No teu samba
Gente bamba
A gente samba

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À SAÚDE

Unimed

Por: Andre Nunes Filho

Hoje tem eleições na Unimed. Merece atenção de todos, usuários e cooperados. Questões seríssimas merecem discussões “eaedem”; Não adianta falar mal e ficar por isso mesmo. A realidade de quem não tem um plano é humilhante e muito arriscada. A nova administração terá que enfrentar várias dificuldades, entre elas:

1- excesso de pacientes para cada vez menos médicos atuantes. Uma explicação simplista: um plano tem que vender para se sustentar. Os jovens que usam pouco suportam os usuários mais velhos, que são deficitários. À semelhança da previdência, ou seja, uma pirâmide. Um plano que “envelhece” quebra, ou então teria reajustes estratosféricos. Como sustentar o topo da pirâmide se este cresce desproporcionalmente (longevidade) e cada vez mais consumindo recursos de alto custo? Para piorar todos nós estamos agindo mal, com excessos de calorias, sal, velocidade, álcool, drogas, cigarro claro e, de consultas! Os usuários da Unimed Belém são os que mais se consultam em nível nacional. Pacientes com maior complexidade na assistência, portadores de neoplasias, doenças reumáticas, “alérgicos”, transplantados, sindrômicos e os com doenças crônicas comuns, quase todos ansiosos, têm afastados muitos médicos da clinica diária, de assumir estas responsabilidades e serem mal remunerados e ainda escrachados. A má educação da população esta se refletindo também nas salas de espera.

2- médicos mais velhos e cansados, frustrados. Médicos jovens e inexperientes, mal orientados, à mercê da indústria farmacêutica, do sistema e suas verdades temporárias. No meio termo, médicos que estão realizando um bom trabalho mas extremamente requisitados, ficando velhos e cansados.

3 – profissionais inescrupulosos que deveriam estar presos. Mas se nem assassino confesso fica preso…

4 – a maioria dos médicos teve que optar pela carreira aos 15 anos de idade, muitos sob pressão. Quando veem que não era sua vocação, poucos desistem no meio do caminho depois de tanto investimento.

5 – tecnologia. Há muitos anos o Brasil abriu mão de produzir tecnologia, e paga um preço muito alto por isso. Na área médica isto é muito evidente. A inflação medica tecnológica não é regida por índices normais (IGPM, FGV, Dólar, Índice da Construção Civil etc…). Ela é fantástica, mas tem um preço. E, todos queremos o melhor para nós e para os nossos. Estamos chegando bem até os 80 ou mais. Mas é caro, principalmente porque não investimos em prevenção primária. Sem delongas, você vai de escada ou elevador para o 2º Andar de um prédio?

6 – inércia por comodismo dos usuários (todos nós). Que tal fundar uma associação dos usuários da Unimed Belém? Pesquisei no Google e achei varias de outras regiões.

O problema é complexo demais e exige a participação de todos. Ficar sentado na frente do computador, reclamando da vida e dos outros ajuda muito pouco.

Em tempo: espero que as eleições de hoje possam ser o inicio de uma necessária mudança. Não desejaria estar na pele do novo presidente, seja quem for e ter que administrar uma grande empresa com tantas nuances. Bom domingo a todos.

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QUANDO ADVOGUEI PARA O DR. ALMIR GABRIEL

Foto: Guilherme Lemanski

Foto: Guilherme Lemanski

Eleições de 1998. Estava matando cachorro no grito. Recém saído do escritório onde trabalhava, aluguei uma salinha (“inha” mesmo, lá na Rua Diogo Móia). Pagava o aluguel tratando de umas questões judiciais do próprio locador. Cliente mesmo, quando aparecia, era pingado e alguns ainda me davam cano.

Eis que o papai (Andre Costa Nunes) arrumou com o Dr. Paulo Klautau (acho que foi com ele e/ou com o Italo Macola) um serviço: “Ir para Viseu e arredores, trabalhar como advogado eleitoral do PSDB no 2º Turno das Eleições para Governador”.

Topei no ato! 28 anos e nunca tinha exercido a advocacia eleitoral, mas minhas experiências como mesário e presidente de mesa (fui algumas vezes), davam-me o conforto de encarar.

Não lembrava da região. Só sabia ir até Bragança.

O Dr. Almir tentava a sua reeleição. O adversário-mor a ser batido era o Jader Barbalho. A região, diziam, era deste último. Ninguém o vencia por lá!

O “briefing” foi: “Olha, o Dr. Almir ganhou no 1º Turno lá, mas foi pouco para o que esperávamos. Eles agiram forte. Tens que reverter!”

Missão dada… fui!

A PA-242 (hoje, a federalizada BR-308), de Bragança até Viseu era quase uma aventura a ser trilhada de Jipe 4×4. O Dr. Almir, no 1º mandato, tinha arrumado alguma coisa, mas as chuvas e o solo arenoso e cheio de furos, nascentes, etc, castigavam a estrada. Lembro que a última ponte, de madeira, antes de chegar em Viseu tinha o singelo apelido de: “Ponte da Morte”. Na ida, percebi que os postes de energia elétrica já estavam sendo colocados, mas ainda estavam longe da cidade.

A Prefeita de Viseu era a Dra. Astrid e apoiava a candidatura do Dr. Almir.

Ps.: Ao conhecer a prefeita e a política da Dra. Astrid, fiquei diante – percebi depois – daqueles fatos e casos que fazem a História. Como se diz: “Vi a Dona História passar na minha porta e a cumprimentei”.

Primeiro, ela era querida em Viseu, cuja sede ainda era (ou ainda é?) uma cidade bem interiorana, pacata e carola, muito carola. Astrid vivia uma união homoafetiva com a Eulina e ambas, realmente, trabalhavam muito por aquele povo carola, como disse.

Dá para escrever muito mais sobre isto, mas fico com dois fatos que estão gravados na mente:

1) Astrid, ao lado da Eulina, em cima de uma carroceria de caminhão, fazendo as vezes de um palanque de comício, tendo ao microfone uma senhorinha, crente toda, chefa do “Sangue de Jesus do Divino Espírito Santo de Deus Todo o Poderoso”, enfim, a representante cristã da cidade (acho que era evangélica, devido o cabelo comprido, não pintado, camisa gola-alta e saia até os tornozelos), defendendo-a, e, de quebra, defendendo a união com a Eulina – dizia: “Isto não tem nada a ver, o que interessa é que elas lutam pelo município e tal e tal”.

2) Apuração correndo do Ginásio da cidade, que naquele tempo ainda era voto manual, depositados em Urnas, e quando olho para a arquibancada, lá está a Astrid sentada, com a Eulina sentada no degrau abaixo, encostada nela, como duas pessoas enamoradas.

Alguns anos depois, estes e outros fatos geraram três impugnações eleitorais à candidatura da Eulina, na época Deputada, à Prefeitura de Viseu nas eleições de 2004. O Juiz Eleitoral de Viseu, Dr. Vanderley, hoje titular do 6º Juizado Especial Cível de Belém, acatou três pedidos de impugnação baseados na lei eleitoral que proíbe parentes em até segundo grau dos ocupantes de cargos executivos de concorrer a esses mesmos cargos. Astrid era, ainda, a Prefeita, reeleita.

Nestas Eleições, o cenário de Viseu tinha mudado (ou se revelado?). A candidatura da Eulina foi marcada por ataques homofóbicos de toda ordem, conforme constam nos noticiários de comunicação da época.

Esta decisão deve ter sido uma das primeiras (se não, foi uma das mais relevantes) em que a Justiça declarou não só direitos, mas DEVERES decorrentes de união homossexual. Se contrária à Eulina, depois, a decisão (confirmada inclusive pelo TST) se revelou uma das fundamentais para que o STF, ao julgar a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 4277 e a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF nº 132, reconhecesse a união estável para casais do mesmo sexo, dando, também, interpretação conforme a Constituição Federal para excluir qualquer conclusão no Brasil, com base no Art. 1.723 do Código Civil, que não reconheça a união entre pessoas do mesmo sexo como entidade familiar.

Vão-se os anéis, ficam os dedos.

No 1º Turno, em Viseu, o Dr. Almir tinha recebido 6.041 votos. Jader, 4.876. Era pouco. O PSDB pensava que seria mais. Em Augusto Correa, ali do lado, tinha sido 4.139 contra 4.942 ao Jader e Bragança, a “capital política” da região, em que pese o Dr. Almir ter tido 2 mil votos a mais que Jader, este estava crescendo rápido (tanto que reverteu e venceu no 2º Turno com mais de 200 votos de diferença).

Uma correria. Fiz questão de treinar os fiscais, os delegados e os apoiadores do Partido, e a Astrid (rs). Expliquei a lei, os seus poderes, estudamos cartilhas, marquei as Seções “complicadas”, cerquei o adversário (conheci algo que não imaginava ter para aquelas bandas do Pará: UMA SERRA! A Serra do Piriá. Googlem, por favor!).

Na cidade tinham dois hotéis: Um, era o QG do PSDB e onde deveria ficar; O outro, era o QG do PMDB. Fiquei neste!😀

Soube, depois, que a Astrid ligou para o Comitê Central, em Belém, para perguntar se tinham confiança em mim, pois havia decidido me hospedar no hotel do adversário. Ainda bem que confiavam.

Ps.: Nada melhor que ficar no quarto ao lado do dos inimigos. Ainda mais em hotel de interior, que se conta até quantas tosses o cidadão do lado dá dormindo! O advogado do PMDB, um conhecido meu do curso na UFPA, suava…🙂

No 2º Turno, em Viseu, o Dr. Almir ganhou o Jader por 9.377 a 4.227. Mais de 5.000 votos de diferença.

Voltei para Belém. Prestei conta dos gastos. Uns cinco dias depois me pagaram: R$ 1.000,00.

O resto da História, vocês sabem.

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NA MOSCA!

FotodeWagnerOkasaki

 

*Fotografia espetacular do não menos espetacular fotógrafo e gente mui buena, Wagner Okasaki, do Benâmbulo.

Todos nós, moradores de Belém ou não, sabemos que o trânsito e o transporte público são os “nós górdios” da cidade! E que, ambos, precisavam ter a frente um especialista!

Zenaldo Coutinho acerta em colocar na CTBEL – Companhia de Transporte do Município de Belém, a Profa. Especialista, Mestra, Doutora, Phd e Inteligente, MAISA TOBIAS.

Sou um interessado, leigo, em “saber” sobre “cidades”. Gosto de ler, ouvir e ver palestras e debates sobre o assunto (…começou quando li, há uns 20 anos, “Landi, esse desconhecido (o naturalista)” e o “O bi-secular Palácio de Landi“, mas, mais fortemente, o “Contribuição à História de Belém” e “Evolução Histórica de Belém do Grão-Pará“, todos de Augusto Meira Filho. Leiam!), e, invariavelmente o nome da Profa. Maisa Tobias cai no colo de quem busca sobre isto.

Ela – com mais uns outros safos – tem uns projetos acadêmicos (…sim, Zenaldo fez algumas escolhas totalmente técnicas e foi buscar na fonte universitária algumas pessoas para trabalhar pra ele. Mérito!) espetaculares, mas o que mais gostei de ter lido é sobre o “projeto D-FLUVIAL“!

Nada, nada, apenas se propõe a ser uma das (OU A GRANDE) soluções para o CAOS DO TRÂNSITO DE BELÉM!

A Profa. Maisa Tobias tem um livro, o “GRANDE BELÉM: FACES DE DESAFIOS DE UMA METRÓPOLE INSULAR“, que deveria ser distribuído nas esquinas de Belém. Sim, de graça (claro, bancado por um mecenas, pois as pessoas ainda insistem achar que escritor não pode/deve ganhar dinheiro com sua produção intelectual …Andre Costa Nunes que o diga!)!

Como a esperança é a última que morre, espero que a Profa. Maisa desate o nó e mande a lenda “plantar batatas”. Belém merece!

Ps.: Segue um link mostrando, uma pequena parte, do que falo:

http://www.ipen.org.br/downloads/XXI/187_Tobias_Maisa_Sales_Gama.pdf

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