Brevidade

Já me vou
Não sei quando
Mas, já me vôo

Queria ter ido mais
Mas, já não irei mais
Não me vou

Já vou, indo
Mas, volto já
Já não posso

Volta, pois já me vôo

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Há gente, mas, há a máquina que tudo atropela

Julho de 2015

Só agora consegui ver a reportagem no “Liberal 2ª Edição”, sobre a questão do Aterro Sanitário da RMB de Belém.

Há um TAC – Termo de Ajustamento de Conduta. Há o Ministério Público do Estado, há as Prefeituras, de Belém, Ananindeua, Marituba e outras. Há o Governo do Estado do Pará.

Há um estudo e relatório de impacto ambiental (EIA RIMA) sendo descumprido… aliás, a Empresa diz que só daqui a 6 meses vai instalar a separação do lixo, se orgânico, se inorgânico, se reciclável ou não (será que o hospitalar vai no meio?).

E, há uma mata (a tal da Mata da Pirelli) virgem (não sei se é mesmo). Há uma fauna. Há igarapés. Há lençóis freáticos.

Há pobreza, muita. Coitado daquele rapaz que acha que a Empresa, dona do Aterro Sanitário, irá lhe empregar. Não entendeu, nem vão lhe explicar, que as cooperativas de catadores são lá do bairro, lá da cidade, lá longe e que, lá longe, já tem outros pobres catando…

E há o meu pai, que chego a pensar que deveria largar mão disso, dessas coisas de lutar por algo melhor para as pessoas, largar mão dessa mania, um vício, de lutar pelo bem, pela democracia, pela felicidade, sua e dos outros… bem, mas aí, não seria o meu pai e, de imediato, deixo de pensar assim, pois, daí, eu não seria seu filho.

http://g1.globo.com/pa/para/jornal-liberal-2edicao/videos/t/edicoes/v/lixo-ja-esta-sendo-depositadas-no-novo-aterro-sanitario-de-marituba/4302953/

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Mas, que diabos…

Mais uma passeata. A 2ª por estas plagas.Tarde bonita. Estas tardes que Belém e só a baia do Guajará produzem.Na caminhada, saindo do CAN, percebia-se muita gente jovem, pessoas que no fatídico 11 de Setembro, ainda estavam na inocência. Ex-garotos e ex-garotas. Agora, jovens adultos.
Bati fotos lindas! Vi famílias inteiras, de “mamando à caducando”. Todos com suas indignações nos bolsos e na ponta de língua.Tudo certo.Quando cheguei na frente da Prefeitura de Belém, aquele prédio lindo, histórico e QUE NÃO DEVERIA SER, NUNCA, SEDE DE PREFEITURA, em que pese ter sido construído para isto (aliás, deveria ser um museu, para visitação e contemplação) percebi que algo estava estranho.Por sinal, tal percepção foi até um pouco antes, já na descida da Presidente Vargas, ali deconfronte à Escadinha.
Soltaram um bomba caseira.Pensei: “Quem diabos vem pra cá com um bomba caseira?”.Seguimos.Como “atalhei” pela 15 de Novembro,adiantei-me e via as pessoas chegando e ocupando seus lugares diante do palco e as ilusões foram caindo aos poucos.Após um curto período de tentativa de se organizar uma conversa diretamente com o Prefeito, o Zenaldo Coutinho, na rua mesmo, olho a olho (QUE SERIA INÉDITO EM TODAS AS MANIFESTAÇÕES NO PAÍS), vi voar uma garrafa d’água em direção à entrada do prédio. Depois, mais outra. E, uma pedra e UM TÊNIS.Pensei: “Quem diabos joga o seu tênis na Prefeitura?”Veio a 1º bomba de efeito moral (que, aliás, de moral não tem nada, só o nome. Ela acaba com a moral!). Como de praxe, enquanto muitos correram para longe. Dei uns passos para mais perto (sempre penso: Algum amigo pode estar precisando de ajuda – é tradição minha milenar! rs).As pessoas voltaram. Muitos gritando para sentar. Eu gritei: Senta! e sentei. Só eu sentei! Quase fui pisoteado pois veio a 2ª bomba de defeito moral!Levantei. Recuei.Fui para o lado da entrada. Veio o gás de pimenta. Conhecia-o. Respirei pelo nariz, leve e pausadamente, sem pânico. Você não morre sufocado. Apenas acha que vai.Ajudei um rapaz que estava sentado, passando mal. Um moça, daquelas jovens adultas que falei, deu para ele cheirar um pano com vinagre. Cantei no ouvido dele: Respira só pelo nariz e te acalma. Ele entendeu. Ficou lá.Vi o Tanto gritando, do lado de dentro do disciplinadores (são grades móveis).Pensei: “Que diabos está fazendo o Tanto do lado de dentro?”.Ouvi ele dizendo para que se fizesse um cordão de isolamento. O próprio povo iria separar e proteger o prédio público e as pessoas que estavam lá dentro.Achei interessante.Fui para frente da entrada e já tinham umas 6 pessoas começando o cordão, braço entrelaçado com o braço do parceiro e assim por diante. Vi que tinha um senhor de idade no meio.Pensei: “Que diabos está fazendo um senhor de idade aqui?”.Fui e fiquei no lado dele para o ajudar numa eventualidade.
Não deu certo.
Tentamos fazer um duplo cordão de isolamento.
Não deu certo.Um grupo de pessoas, QUE NÃO ERA PEQUENO – está bem, em comparação ao tanto que caminhavam, sim, mas, ali, na frente da porta da Prefeitura, faziam a diferença… e fizeram mesmo! -, fizeram cagada!Uma pessoa, que portava um cômico cartaz preso em uma vassoura, jogou algo. Olhei para ele e quase voei nele. Mas, tinha o senhor do meu lado. Fiquei.Essas pessoas não queriam nada daquela Autoridade eleita. Eles queriam ser os eleitos. Os arautos de uma nova era. Os escrotões… uns babacas.No primeiro momento, os guardas que estavam no pórtico de entrada, recuaram um pouco, mas só para fecharem mais a entrada.Lá vieram mais bombas de efeito imoral e, por fim, a PM, o Choque da PM e a Cavalaria da PM (só apontaram o focinho, mas, não sei o motivo, voltaram – aliás, sei. Umas pessoas começaram a dizer que não era para tanto. Um Oficial da PM, que veio do lado de dentro da Prefeitura só fez um gesto, e ela foi simbora). A PM aliviou. Tinha recebido ordens para assim proceder.Mais gás lacrimogêneo.Saí do cordão, pois, afinal, só estava eu, o senhor e mais uns 10 gatos pingados.
Fiquei do lado do prédio da Prefeitura. Com minha cunhada e um primo.
Fui deixar no carro minha cunhada. Voltei. Já era começo da noite. Encontrei dois amigos. Ficamos por ali.Vi gente ainda protestando.
Jogando pedras no Palácio Antonio Lemos (que, se falasse, diria: “Ei seus fedelhos, logo eu, lindo e maravilhoso, um idoso de mais de 120 anos? Porque vocês não atiram pedras na ALEPA, aquele monstro de vidro, que nem combina com o Centro Histórico?”). Não empurraram um centímetro do prédio para trás, mas, em compensação, empurraram-se quilômetros para dentro da ignorância política em que vivem.No mais, foi uma boa passeata.Conseguimos desabafar. Mandar nossos recados (para quem? alguns perguntam. Respondo: Para nossos mesmos. O que já um bom começo). Tentar reencontrar nossas indignações.Quero crer que a letargia tenha sido abandonada e que os gestores públicos acordem, todos os dias, lembrando disto.Vem, vem pra rua, Belém!

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Os escolhidos

Olha
Nem todo católico é gente fina
Nem todo evangélico é homofóbico
Nem todo Padre é bacana
Nem todo Pastor é babaca

Nem todo cristão ama
Nem todo evangélico baba

Os dois são filhos de Deus

E só o Ateu é perfeito.

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As décimas da gente

Aluísia,

Tem correria
Essa vida que teima voar
É trabalho, é celular
Sangria
É a lida. É dia. É dia-a-dia
Mas, meu amor, por ti, sou
És por mim. E a mim, o amor doou
Receba esta décima, com todo amor, como Suassuna nos ensinou.
Para a Aluísia, meu ardor

Lafayette,

Recebo tua “décima” com todo amor e emoção
Sou por ti, e a ti, o amor doei
És por mim amor, o amor que conquistei
A vida corre e como corre, cabendo a nós a imaginação
Em vivê-la, plenamente, com amor e dedicação
Que me perdoe Suassuna, o meu mal aprendizado
Por tentar aqui em décima declarar ao meu amado
Como sou feliz contigo
Por te ter como marido
Meu eterno namorado.

Aluísia,

Suassuna quem dera ler
Tais décimas de amor
Pois saberia o seu valor
Saberia ver
Que para se ter
Inspiração
Basta olhar para o coração
Que habita
Toda beleza infinita
Da nossa imaginação

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Estudo sobre a mentira

“A verdade é uma só: Não existe uma só verdade.”

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Na mãe

Mãe é mãe
Filho é filha
Neto é neta
Tudo junto
Cabe na pia
Cabe no amor
Cabe na bacia

Quando ajunta
Cabe na mãe

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