Biografia (des)autorizada

Vou escrever um livro, mas não sobre mim e sim sobre uma outra pessoa. Não tenho qualquer vínculo de parentesco. Amigos não somos. Nem sequer conhecidos. Irei relatar tudo que sei e tudo que apenas digo que sei sobre ela.

Eu e ela somos detentores de direitos, personalidades jurídicas distintas, temos deveres também.

Não pretendo nem perguntar a ela se me permite. Se confirma o que digo que sei e publicarei. Na capa, uma fotografia dela, fazendo topless em Saint Tropez.

Vou me apoderar da história dela. Começarei desde antes do nascimento. Lembrarei que ela é fruto de um estupro. Que mãe era solteira e que, pela ironia do destino, seu melhor papel na novela das 8 foi justamente uma mulher estuprada e martirizada pelo marido.

Citarei aquele caso obscuro, mas que deve ser verdade, do dia em que ela deu entrada em um hospital, diz que, com falta de ar, mas que uma ex-auxiliar de enfermagem, cujo nome omiterei a pedido, garantiu que foi porque ela tinha tentado suicídio, tomando remédios ansiolíticos. E, claro, destrincharei o motivo da tentativa de suicídio.

Sobre sua arte? Ah, todos já sabem. Não dá dinheiro.

Pretendo ganhar dinheiro com o livro que escreverei sobre ela. Não pretendo lhe dar nem um centavo. Nem um livro de brinde. E ela, se quiser, que vá lamber sabão. E se não gostar e quiser me impedir, os defensores da liberdade, ávidos para saberem os pormenores da vida dela, dirão que é coisa de DITADORA!

E olha que gosto dela. Uma ingrata!

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VIDA DA GENTE

VIDA DA GENTE

Entre nascer e morrer, há tempo
Um tempo qualquer, que quer ser
Um tempo imedido pelo amor

Quando curto, percebemos
O quanto perdemos tempo

Quando longo, esquecemos
O tanto de tempo perdido

Tem gente que vive pouco
Mas, o rouco “ei, acorda!”
Ensina que a vida é breve e leve

Tem gente que recebe mais amor
Em um dia de vida vivida
Que um matusalém sonhou sonhar

Seguir em frente, eis o mistério da vida
Da vida da gente.

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Mãe, já não choro por você

Mãe, já anão choro por você
Mãe, já não me desespero por você
Mãe, vou fazer uma tatuagem pra você
Mãe, estou com saudade dos seus beijos

Mãe, não consigo lhe ver
Mãe, dói muito isso
Mãe, não queria isto para você
Mãe, não há o que fazer

Mãe, a espera nos matará

Mãe, enquanto isso, não chore
Mãe, não se desespere
Mãe, fique bem

Mãe, estou em desespero
Mãe, estou com saudades dos seus beijos

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Altamira em chamas

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“PORQUE”

Em 21 de agosto de 2018…

Muita gente debatendo e tentando justificar o “porque” de o Lula, condenado e preso, liderar as pesquisas… é simples e óbvia a explicação: O povo, que mora além da grande imprensa, internet e dos muros altos dos condomínios sente, na pele e no dia-a-dia que a vida piorou desde quando ele saiu da Presidência, em Dezembro de 2010.

É a mesmíssima explicação de “porque” o Edmilson Rodrigues ainda é um dos mais lembrado nas pesquisas e votado para a Prefeitura de Belém, mesmo não governando a Capital desde Dezembro de 2003.

Enfim. Para esse pessoal, tudo piorou ou nada melhorou.

No meu entender, é um erro quando se faz uma análise personalíssima deste ou daquele político, sem levar em consideração a questão histórica, do antes e do depois.

E, principalmente, daquele que, a partir de 01 de Janeiro do ano vindouro, governará as diretriz que nos afetarão, inexoravelmente.

*às 11:44hs:
Além, claro, da falta de uma maior renovação política que, tirando algumas ocorrências pontuais, como a Ursula Vidal, o brasileiro fica numa ciranda de roda velha, pois, quem é bom, boa cabeça etc, não entra ou se afasta, cada vez mais, da Política.

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MINHA TIA FRÍZIA

Ao fundo, aqueles morros marcam o início da Terra do Meio

MINHA TIA FRÍZIA

A libélula pousou na minha mão. Devia estar cansada ou só curiosa, sei lá. Há 7 dias minha tia Frízia tinha se encontrado com o irremediável. A nossa única sina, como disse Suassuna. Era Junho, saindo de Altamira, estava indo, junto com meus irmãos e primo, para o Alto Rio Xingu. Para as bandas em que, em Novembro passado, as cinzas do papai foram espalhadas no vento.

***

Minha tia Frízia era demais. Demais competente na arte de viver. Olha, ela era o fute! Mulher que nunca parava. Melhor, quase nunca: parava para rezar. Na casa, tinha muitas imagens de Santos e Santas e Coração Sagrado e fotos dos queridos. Um altar, na verdade.

Casada com o Comandante Barbosa, Mar-e-Guerra, aquele que, um dia, disse: “não vim chorar nota”. Um dia conto este causo. Um grande homem!

Minha tia Frízia vinha sempre para o Círio de Nazaré. Devota. Ela só avisava: Eu vou! E, vinha mesmo. Ficava na casa da Joana ou passava uns dias no Fernando ou na casa do fulano ou na casa do sicrano e sempre ia falar com o irmão, o papai e a “Esther”, mamãe.

Ultimamente, ela estava com sérios problemas de locomoção, doenças que preocupavam… os filhos, filhas, netos e netas, sobrinhos e sobrinhas e o irmão, pois, ela mesma, nem tchum para elas!

Minha tia Frízia sempre dava um jeito.

No último Círio, ano passado, cismou que queria vir à Belém – ela morava em Niterói/RJ – e ir lá no Terra do Meio, “ver como estavam as coisas do meu irmão e rezar um tiquinho com ele”. Olha a bronca!

Todos em polvorosa!

“Mas, mamãe, a senhora está ruim”, “primos, a mamãe quer ir aí, mas, estamos com receio da emoção ser demais”, “primos, ela quer ir, mesmo, e vai!”. Veio!

Fui leva-la no Terra do Meio.

O carro do Fernando era um todo enjoado, sensores para cá, software pra lá. Me emprestou para levar a tia no Terra (meu carro é muito alto e a tia teria dificuldades para subir e descer). No caminho, o carro empacou. Sei lá, não quis mais nos levar.

Antigamente, a gente dizia logo: “ih, o carburador entupiu!”, mas, agora, tem que colocar o notebook, linkar o módulo, parametrizar, resetar etc. Coisa de nerd!

Só tinha um jeito: pegar o outro carro do Fernando. Deixei a tia e a sua escudeira (cuidadora que ela, a minha tia, cuidava) no carro, janela aberta, calor do cão! Imaginem que era umas 10 horas, na frente do Terminal Rodoviário, ali, deconfronte à Makel! Cagada claro.

Quando retornei, o auto-care-sei-lá-o-que da Renault já estava lá, para levar o carro. Fizemos o transbordo da minha tia.

Pega a cadeira de rodas. Não tem como ela ir até o outro carro nela. “Vou andando”, disse, firme!

A calçada da Makel lotou. A minha tia, lançava a perna “desligada” para frente, fazia um “requebra” com a cintura, apoiava e, com a outra perna, meio-boa, dava o passo. Curto, mas, no rumo.

E eu, “meu Deus do céu” se acontece algo aqui e ela cai, a primalhada me mata!

Por conta de algo que ela pediu à Nazica, com certeza, as pessoas não buzinavam atrás, mesmo engarrafando tudo. Desviavam, devagar.

Ela foi indo. O pessoal da calçada vibrava junto e, ela, parava e acenava. A torcida ia ao delírio. Ela me chamou no ouvido e disse, “aproveita e diz para eles que sou avó da Sophie Charlotte”. Falei e aí a galera danou a tirar fotos e aplaudir com mais força. A titia adorava e dizia: “COM MUITO ORGULHO! COM MUITO ORGULHO!”.

Em um gesto, antes de entrar no carro, como se curvasse para agradecer os aplausos – tal como se faz no teatro – deu um último aceno de mão.

Rimos muito. A minha tia era o fute, como disse.

A minha tia Frízia era uma pessoa determinada. Forte, mesmo quando a fraqueza se avizinhava. E, isto refletiu nos filhos e nas filhas e netas.

Não se metam à besta com elas!

Ou melhor, se metam, mas, saibam que, ali, cabresto de macho escroto não se cria. Sempre estará para nascer, mas, nunca nascerá!

Minha tia Frízia as inspirou mostrando, na vera, como é que se impõe diante do mundo das coisas e das gentes. Ainda mais, aqui, neste Brasil.

Teria outros contos, causos para contar para vocês, mas, por enquanto, fiquem com essa imagem, linda, dela, na escada da casa do irmão que tanto amou e que, por certo, estão em longos papos, à margem de um rio celestial!

***

Aquilo já estava ficando mais interessante. A libélula, mesmo depois de uns 30 minutos, mesmo depois de fazer quase tudo com a mão, pegar cerveja no isopor, dar uns goles de cachaça, apontar cachoeiras, árvores, aves, até balançar, ela continuava ali, pousada na minha mão direita.

Ora, bati até foto colada nela, como se vê, e nada a assustava.

Eu mirava ela de lado, ela virava aquela “cabeça olhuda” e nada.

A voadeira era equipada com um motor Yamaha de 115hp e éramos 7 pessoas, portanto, imaginem a velocidade que navegávamos e, claro, a ventania que batia sobre o dorso da minha mão, pois, também, com se vê, colocava-a até para fora do barco.

E, ela, a libélula, impávida, apoiando nas pernas, ora ajeitando-as em pequenos passos, firmes, ora, com uma das asinhas, como que acenando, levantava a ponta e anulava o empuxo do vento forte.

Sabe-se, por ver, que libélulas não param. Ou quase, não param.

A libélula era o fute!

Demorei, mas, fui percebendo e entendendo, ao poucos. Não era eu que levava a libélula.

Ela me levava pela mão. Apontando o rumo, determinada.

Depois, como se já tivesse chegado no local que queria ficar, deu-me uma beliscadinha – ou um beijo – e partiu!

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Brevidade

Já me vou
Não sei quando
Mas, já me vôo

Queria ter ido mais
Mas, já não irei mais
Não me vou

Já vou, indo
Mas, volto já
Já não posso

Volta, pois já me vôo

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